Portugal vence concurso internacional de arroz
Estavam em competição receitas de risotto, paella, pilaf e outras bem conhecidas nas mesas de todo o mundo.
Estavam em competição receitas de risotto, paella, pilaf e outras bem conhecidas nas mesas de todo o mundo, entre um total de 21, mas acabou por ser um portuguesíssimo arroz de cabidela, preparado pelo chefe Vítor Sobral, a vencer o concurso do I Encontro Internacional de Arroz que a Academia Internacional de Gastronomia organizou neste fim-de-semana em Castellon (Valencia), Espanha.
– Quando a Academia Portuguesa de Gastronomia me convidou para participar, dizendo que tinha escolhido o arroz de cabidela para representar a nossa cozinha no concurso, achei interessante e recorri a uma receita da minha família – disse o chefe do restaurante Terreiro do Paço, em Lisboa.
Além da receita, Vítor Sobral levou da casa da família três gordas galinhas criadas pela sua mãe, carqueja, vinagre e outros ingredientes. Só o arroz destoou um pouco, já que foi o valenciano bomba, apesar de tudo bastante semelhante ao carolino português.
– O segredo foi a qualidade das galinhas – garante.
– Tinham uma gordura fabulosa e fico satisfeito que o júri tenha lhes dado mais valor do que a trufas, lavagantes e outros produtos considerados mais nobres que entravam noutras receitas.
O júri que premiou a nossa cabidela era presidido por José Bento dos Santos, vice-presidente da Academia Portuguesa de Gastronomia, mas que ninguém suspeite de favoritismos porque era o único português entre os 20 “reconhecidos gastrônomos e experts em culinária”, onde constavam cinco espanhóis, três italianos e dois poloneses. Alemanha, EUA, Bélgica, Suécia, Síria, Líbano Grã-Bretanha e Grécia eram os outros países representados no júri.
Em competição, estiveram receitas da Bélgica, Grécia, Uruguai, Argentina, Líbano, Síria, Alemanha, França. Dinamarca, Itália, Polónia, Turquia, EUA, Peru, Suécia, Chile e Grã-Bretanha. A Espanha, como anfitriã, apresentou três receitas.
Como as três galinhas que Vítor Sobral tinham que dar para 70 doses (havia outros “provadores” além dos membros do júri), ele explica que teve que as desfiar.
– Fiz a receita normalmente, com caldo de carqueja, mas decidi levar os fígados, corei-os e servi-os fatiados em cima do arroz, como se fosse foie gras. Para melhorar a apresentação pus também alguma carqueja, alecrim e flores do campo a decorar.
O chefe português recebeu ainda um prêmio especial da recém-criada academia polonesa por ter feito o prato que mais lhes agradou.


