Preço alto deve estimular plantio de arroz no Sul e no Centro-Oeste

Hoje, em Porto Alegre (RS), a cadeia produtiva e o governo se reúnem para discutir a continuidade ou não dos leilões de estoques oficiais – os últimos foram em menor volume, mensais.

Os preços mais altos do arroz neste ano poderão estimular o plantio do cereal. Em Mato Grosso, estado que já foi o segundo maior produtor do grão e onde desde a temporada 2004/05 a área diminuía, o cultivo tende a se estabilizar ou até aumentar. Lá o produto é vendido a R$ 38 a saca (60 quilos) – valor 52,5% superior a um ano antes. Na média nacional, de acordo com levantamento da Safras & Mercado, o incremento será de 3,4%.

– O que estimula o plantio é o preço – diz o presidente do Sindicato da Indústria de Arroz (Sindarroz) em Mato Grosso, Joel Gonçalves Filho.

Segundo ele, diferentemente de outras ocasiões, o cereal era em geral plantado para abertura de área. Hoje os plantadores recorrem à tecnologia para cultivar áreas velhas.

– O preço vai fazer a área parar de cair. E, se houve aumento, não passa de 10% – diz.

Com a queda no plantio e na produção – o estado chegou a colher 2 milhões de toneladas -, as indústrias fecharam e a capacidade instalada de 1 milhão de toneladas está ociosa em 60%.

O produtor Angelo Maronezzi, que foi presidente da extinta associação da classe, diz que o aumento no preço dos insumos atrapalha não só a programação do plantio do arroz, mas também de outras culturas. Diante deste quadro e da dificuldade de financiamento, ele acredita que o estado deve plantar a mesma área da safra passada.

Foi justamente o aumento no custo de produção que levou o produtor Anor Zanchette, de Cláudia (MT) a reduzir o plantio de arroz. Como ele já havia adquirido insumos para a soja e os preços do adubo subiram, optou por ficar só na oleaginosa.

– No Centro-Oeste, o arroz disputa com outras culturas e tende a perder. Diferente do que ocorre no Rio Grande do Sul – diz Élcio Bento, analista da Safras & Mercado.

Isto porque a região de plantio do cereal naquele estado do Sul é propício basicamente para este produto ou pecuária. De acordo com a consultoria, os gaúchos tendem a elevar em 4,1% o plantio do grão.

– Acredita-se que as chuvas que caíram em julho tenham recuperado as barragens, que é o maior limitador.

O presidente da Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Renato Rocha, diz que algumas regiões do estado, como a Campanha, ainda têm déficit hídrico, apesar das últimas chuvas. Além do problema da água, segundo ele, a dificuldade de financiamento pode limitar a expansão da área.

– Em termos de preço, está bom, estimulando o plantio. Mas o governo tem de ter sensibilidade para não derrubar o mercado – diz Rocha.

Ele refere-se aos leilões de estoques governamentais, que têm sido realizados uma vez por mês. Quando o governo entrou no mercado, no final de abril, houve um recuou na tendência de alta que ocorria no preço do cereal. Nos últimos dois meses, a cotação se manteve praticamente estável.

Desde maio que a média do preço no Rio Grande do Sul é praticamente estável, de acordo com a Safras & Mercado. Naquele mês, o cereal foi comercializado a R$ 34,77, passando para R$ 33,28 em junho e encerrando julho a R$ 33,56 a saca (50 quilos).
Para Bento, a explicação da estabilidade é um mercado abastecido.

– No pico do preço, entre abril e maio, a indústria foi às compras, com medo de que o preço subisse mais. E agora o produtor só está vendendo quando precisa – diz.

O consultor acredita que metade da safra gaúcha já tenha sido comercializada.

– Até setembro, quando o produtor tem de monta a próxima safra, o mercado deve ficar nesta estabilidade – acredita Camilo Oliveira, assessor comercial do Instituto Riograndense do Arroz (Irga).

O diretor- executivo do Sindicato da Indústria de Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz/RS), César Gazzaneo, diz que a indústria está se abastecendo no dia a dia, a partir de sua necessidade. Mas reconheceu que o setor precisa da venda dos estoques públicos, pois a estimativa é que a entressafra seja apertada.

Hoje, em Porto Alegre (RS), a cadeia produtiva e o governo se reúnem para discutir a continuidade ou não dos leilões de estoques oficiais – os últimos foram em menor volume, mensais. A expectativa era que houvesse pelo menos mais um, com a oferta de 60 mil toneladas.

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