Preço da saca do arroz cria impasse
Setor estima que sejam necessários R$ 675 milhões para viabilizar mecanismo de comercialização.
Após um dia de intensas negociações em Brasília, técnicos do Ministério da Agricultura e representantes da orizicultura gaúcha não chegaram a um acordo sobre o preço para os leilões de contrato de opção a serem lançados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O setor bem que tentou acabar com o impasse, baixando de R$ 27,00 para R$ 25,00 o valor de exercício para a saca, mas o governo federal não aceita oferecer mais de R$ 23,20. Pelos cálculos dos dirigentes, será preciso aplicar R$ 675 milhões para viabilizar o mecanismo de comercialização.
A última de várias propostas apresentadas ontem pelos arrozeiros estabelece o lançamento de 1,1 milhão de toneladas por meio de opção pública e de 1 milhão de toneladas por meio de opção privada com preço de R$ 25,00 a saca de 50 quilos, a partir de julho. No caso da operação privada, no valor está incluído um prêmio de até R$ 4,00. Pela proposta, os pregões públicos seriam semanais e os privados, quinzenais. Nos próximos dias, o Ministério da Agricultura estuda os números com a área econômica.
O vice-presidente da Farsul, Francisco Schardong, adverte: o setor não aceitará um novo recuo. O diretor de Mercados da Federarroz, Marco Aurélio Tavares, explica que não há como baixar de um teto que nem sequer cobre o custo de produção no Estado.
Para o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), estão restando poucas opções afora a pressão. ‘Eles não entendem outra linguagem: É mais uma semana que nós vamos perder. Só a base fazendo uma mobilização muito forte.’
Durante reunião com arrozeiros ontem em Pelotas, o vice-presidente de Agronegócios do BB, Ricardo Conceição, sinalizou com a prorrogação por um ano das parcelas dos créditos de investimentos do setor. Para isso, pode ser usado modelo semelhante ao dos pequenos agricultores atingidos pela seca. A prorrogação do custeio ainda depende de Brasília.


