Preços caem e indústrias saem do mercado no Rio Grande do Sul

Arroz recomeçou a cair R$ 1,00 por saco a cada semana, como aconteceu no final de 2004. Esta semana não foi diferente e o casca caiu para R$ 23,00. Só o canjicão, para exportação, está com o mercado aquecido.

A indústria gaúcha de arroz anunciou que está se retirando do mercado, deixando de comprar arroz em casca. O movimento começou nas cooperativas arrozeiras e tem por objetivo segurar a disparada na queda dos preços do arroz em casca.

O presidente da Cooperativa Agrícola Cachoeirense Ltda (Coriscal) Sérgio Castagnino, de Cachoeira do Sul, explicou que mesmo em plena safra de arroz, há um descompasso exagerado entre a oferta de arroz em casca para a indústria e as vendas do produto beneficiado. “Há uma grande pressão de oferta, enquanto os supermercadistas estão comprando estritamente o necessário”, frisou.

Em algumas regiões do Rio Grande do Sul já existe arroz padrão (58% de inteiros) cotado a R$ 22,00. Os produtores pressionam para vender pelo menos a R$ 25,00, mas muitos se submetem ao valor menor para quitar compromissos.

O descompasso pode ser explicado com um cálculo rápido. A indústria faz um cálculo inverso. Pega os valores do arroz beneficiado praticado no mercado e retira os custos de beneficiamento, impostos, frete e margem de lucro para identificar o valor do casca. Para vender um fardo de 30 quilos de arroz tipo 1 em São Paulo ao preço final de R$ 33,00, a indústria gaúcha teria que estar pagando R$ 22,00 pelo casca.

Com a pressão dos supermercadistas, que estão comprando menos pois sabem que na próxima semana o valor provavelmente será menor, a indústria se retira do mercado para não forçar uma baixa ainda maior aos produtores. Estes, por sua vez, ficam sem opção. Ou vendem o produto para atravessadores ou não honram compromissos ou, ainda, estocam o produto por mais um tempo com o risco de ter um prejuízo ainda maior.

Diante deste cenário, o arroz em casca apresentou novo declínio de preços no Rio Grande do Sul esta semana, acompanhando a curva descendente do produto beneficiado. Na Fronteira-Oeste, onde é maior a pressão porque a colheita está mais adiantada e há oferta de arroz argentino e uruguaio mais barato, a média de preços chegou aos R$ 23,00, mas com casos de negócios por até R$ 21,00 o saco de 50 quilos de produto com 58% de grãos inteiros.

BENEFICIADO

O arroz beneficiado manteve a tendência de queda esta semana. A grande pressão de oferta de arroz no Centro-Oeste e no Rio Grande do Sul e a alta competitividade do produto uruguaio e argentino levaram os supermercadistas a adotarem a estratégia de comprar volumes menores, apenas o suficiente para manter o abastecimento da semana.

Nota-se também que o consumo não apresenta aquecimento. Alguns supermercados de São Paulo estão realizando promoções onde o consumidor leva gratuitamente um quilo de feijão para cada dois sacos de cinco quilos de arroz vendidos.

Já existe arroz gaúcho chegando ao interior de Minas Gerais com preço final de R$ 32,00. Em São Paulo, a cotação média do arroz gaúcho baixou para R$ 33,00 (final) e o produto do Mato Grosso chega por até R$ 30,00. Rio de Janeiro e Espírito Santo acompanham de perto as cotações de São Paulo, com média de preço final de R$ 33,50 a R$ 34,00 para o arroz gaúcho e catarinense. O saco de 60 quilos de arroz beneficiado é negociado na faixa de R$ 42,00 a R$ 46,00 na Fronteira gaúcha e por R$ 45,00 a R$ 47,00 na Depressão Central.

CANJICÃO

O canjicão gaúcho é negociado a R$ 400,00 a tonelada dentro do Rio Grande do Sul (R$ 24,00 o saco de 60 quilos). Esta semana o mercado aqueceu bastante com a entrada e corretores buscando produto para fechar uma carga para exportação, elevando em 10% a cotação. A tonelada passou a ser negociada por R$ 440,00 (R$ 26,40 – 60Kg).

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