Preços continuam subindo no Sul. Mas, aos poucos

Sem conseguir repassar valores para o varejo, indústria pede que a Conab abra os leilões de arroz.

A semana finaliza com o mercado brasileiro de arroz em expectativa para o posicionamento da Conab sob os reiterados pedidos da indústria gaúcha, catarinense e mato-grossense para a realização de leilões de venda de arroz. Os argumentos são distintos. Enquanto no Mato Grosso a falta de arroz é flagrante, bem como a falta de expectativa de que a área plantada e a produção se recuperem já na próxima safra, no Sul as indústrias não estão conseguindo repassar para o varejo a gradual recuperação de preços ao produtor.

Com a abertura dos leilões, a indústria argumenta que conseguirá ao menos balizar os preços pelo referencial dos pregões. Há uma expectativa de que os pregões podem abrir no final de agosto e a um preço aproximado de R$ 25,00, segundo fontes do setor.

Mesmo sob esta pressão, o mercado comportou-se com leve alta. Uma ligeira correção nos preços do arroz beneficiado do Mercosul está colaborando, bem como a greve dos fiscais agropecuários federais, que encerrou nesta sexta-feira, mas pode ser retomada futuramente. Sendo assim, a saca de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, evoluiu para a faixa de R$ 21,50 a R$ 22,50.

Cachoeira do Sul, Agudo, Dom Pedrito, Rosário do Sul, Guaíba e Santa Maria mantém médias entre R$ 21,25 e R$ 22,00. Em Camaquã, Pelotas e Uruguaiana, o arroz colocado dentro da indústria tem média de R$ 22,50. Itaqui e São Borja chegam a pagar um pouco mais, até R$ 22,75, dependendo da qualidade do produto. As variedades especiais alcançam R$ 22,75 a R$ 23,00 na Fronteira Oeste (BR IRGA 409 e IRGA 417), enquanto no Litoral Norte, com 63% de grãos inteiros, a saca atinge a média de R$ 25,50. O IRGA 422CL, com até 60% de inteiros, chega ao preço de R$ 23,50 nesta região.

INDICADORES

Segundo dados do Cepea/Esalq, o preço médio da saca de 50 quilos do arroz com 58% de grãos inteiros entregue dentro da indústria (frete incluso), fica em R$ 22,33. A Emater/RS, divulgou boletim informando média de preços em R$ 21,75 no estado.

Estados

Em Santa Catarina, a média de preços do arroz em casca é de R$ 21,00 a R$ 21,50 ao produtor, mesmo com a comercialização muito lenta. No Mato Grosso, a situação é considerada muito grave pelo setor, com algumas empresas atuando em forte ociosidade para sua capacidade por falta de produto para beneficiar. O Mato Grosso vem buscando produto em países e estados vizinhos, pois mesmo os estoques públicos no estado e região são de baixa qualidade. Os preços seguem em média de R$ 24,00 em Sorriso e Sinop, mas arroz primavera acima de 50% de inteiros chega a valer R$ 26,00 nestas regiões. Posto na capital, Cuiabá, o arroz em casca neste padrão bate na casa dos R$ 30,00.

BENEFICIADO

As indústrias trabalham forçando o repasse dos preços do casca para o varejo, mas sem obter grande sucesso. O varejo trava qualquer tentativa de valorização, embora já se perceba reajustes de até 15% em algumas marcas nos supermercados do Centro do país e, mesmo no varejo gaúcho. Essa condição está levando o setor a voltar-se para o pedido de liberação de estoques públicos.

Média de R$ 33,50 para o fardo de arroz gaúcho, 30 quilos, posto em São Paulo, a vista, com variações de acordo com o tipo e a marca. Marcas de primeira linha são cotadas acima de R$ 45,00 e produtos de menor expressão, em busca de mercado, saem do Rio Grande do Sul por até R$ 28,00. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é comercializada dentro do Rio Grande do Sul a R$ 44,00, com estabilidade nos preços. Chega em São Paulo entre R$ 56,00 e R$ 58,00.

Entre os derivados A saca do canjicão segue cotada a R$ 25,00, enquanto a quirera ganhou valorização de R$ 0,50, com a saca cotada a R$ 20,00, segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre. O farelo de arroz é cotado a R$ 210,00 a tonelada, segundo a mesma fonte.

TENDÊNCIA

O cenário para a próxima semana indica a manutenção desta tendência de leve alta, em que pese o crescimento da expectativa com relação à liberação de estoques públicos, ampliação das exportações argentinas para o Brasil – naturais no segundo semestre – e alguns vencimentos de compromissos, que podem levar o produtor a ofertar produto. Empresas do centro do país estão buscando com maior interesse as variedades nobres no Litoral Norte e Fronteira, o que pode ser também um fator de tal, com essa comercialização “puxando” os preços do padrão tipo 1.

Deixe um comentário

Postagens relacionadas

Receba nossa newsletter