Preços de mercado preocupam orizicultores
Conselheiros do IRGA na Zona Sul gaúcha se reuniram para debater o cenário e o mercado da cultura.
A pelo menos 45 dias do início da colheita do arroz, a preocupação dos produtores se volta ao preço de mercado do produto e adoção de alguns mecanismos pelo governo federal. A idéia é que os orizicultores não ofertem o mercado no início da safra para pagar seus compromissos e consigam manter seus estoques até o segundo semestre do ano.
O assunto foi tema da reunião dos conselheiros do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) da Zona Sul gaúcha, na tarde desta segunda-feira. Participaram representantes dos 11 municípios da regional (Arroio Grande, Capão do Leão, Chuí, Jaguarão, Pedras Altas, Pedro Osório, Pelotas, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar, São José do Norte e São Lourenço do Sul).
O conselheiro de Pedro Osório, Jair Almeida da Silva, conta que os produtores estão preocupados mas ao mesmo tempo otimistas, diante de algumas determinações trazidas pelos representantes da cadeia produtiva, sexta-feira, de Brasília.
Entre as garantias obtidas estão o apoio governamental para sustentação do preço mínimo da saca do arroz em R$ 22,00 a partir de março. Além disso, o Banco do Brasil garante verba para execução de Empréstimos do Governo Federal (EGFs) de R$ 500 milhões a taxa de 8,75% ao ano, a partir do momento da colheita, o que depende apenas de solicitação oficial pelo Mapa.
Outra garantia dada pelo BB e que depende da aprovação do Mapa e Conselho Monetário Nacional (CMN) é a prorrogação das parcelas de custeio da última safra, com vencimento em março e abril, junto com o custeio desta safra, entre junho e novembro.
Foram tratados ainda o estabelecimento de salvaguardas ao arroz
argentino, verbas de R$ 220 milhões para Aquisições do Governo Federal (AGF) e R$ 100 milhões para Programa de Escoamento da Produção (PEP).
– A expectativa é de que as medidas sejam anunciadas até a abertura da colheita, em 5 de março, para que possam produzir os efeitos desejados no mercado – afirma Jair Almeida da Silva.
O quadro de preços é desalentador, pois a expectativa é deste ser um ano com oferta escassa de arroz. No Brasil Central houve forte redução na área e na região a expectativa é de uma colheita normal.
– Os preços de mercado para este início de safra, em torno de R$ 20,00 o saco de 50 quilos, estão piores do que o ano passado, quando era praticado entre R$ 26,00 e R$ 27,00 – frisou.
” O custo desembolsado calculado pelo Irga é de R$ 22,00 e o custo total de produção gira em torno de R$ 28,00. O preço ideal de mercado seria entre R$ 25,00 e R$ 30,00″, acrescenta.
Ainda segundo Jair Almeida da Silva, o preço do arroz é o mesmo de 10 anos, quando se estabeleceu o plano Real. Enquanto os insumos, como o óleo diesel por exemplo, tiveram acréscimo superior a 600% (de R$ 0,32 na época para R$ 1,90 o litro hoje).
NÚMEROS DA CULTURA
Os 11 municípios da região foram responsáveis, nesta safra, pelo plantio de 155 mil hectares da cultura. A produtividade média é de 5,5 mil quilos por hectare, o que deve resultar em produção de 852,5 mil toneladas. O estado deve colher entre 5,5 e seis milhões de toneladas.
Segundo dados da Conab, o país deve produzir 11,5 milhões de toneladas do produto. Devem entrar dos países do Mercosul entre 700 e 800 toneladas somados a um estoque de passagem de 1,2 mil toneladas. O consumo é estimado em 12,8 milhões de toneladas.


