Preços do arroz mantêm tendência de alta no Sul
Oferta segue restrita e mantém preços em alta. Gaúchos e catarinenses iniciam em 15 dias o plantio da nova lavoura, se o clima permitir.
Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul continuam sua rota de alta em direção aos R$ 25,00. O Indicador Cepea/Esalq/USP e BM&F apontou fechamento em R$ 24,51 nesta quinta-feira, totalizando 11,2% de alta registrada em agosto. O indicador refere-se ao arroz com 58% de grãos inteiros, saca de 50 quilos, posto na indústria gaúcha. Na maioria das regiões, a valorização média está entre R$ 22,00 e R$ 24,0 para negócios dentro da porteira (frete excluso). Segundo os principais analistas de mercado do Rio Grande do Sul, apesar de uma indicação nominal de valores, a maior parte dos negócios acontece abaixo destas indicações.
– O produtor segue pedindo sempre R$ 1,00 ou R$ 0,50 a mais por saca, mas a indústria joga para baixo e ainda consegue negociar abaixo dos indicadores oficiais – destacou um corretor em Porto Alegre.
A oferta segue restrita em quase todas as regiões, com maior volume de negócios registrados na Zona Sul e Fronteira. A Federarroz mantém posição de que os produtores devem ofertar paulatinamente seus estoques e já apresenta oferta de 10 mil toneladas de arroz via Centro Facilitador. Os preços seguem em alta porque os produtores têm um balizador de preços que é a referência do contrato de opção. Isso, no entanto, empurra para o final de outubro um momento crítico, quando este referencial acaba. Há agentes de mercado que acreditam num risco do arroz perder preço nesta época, não só pelo final dos contratos de opção como também pela entrada dos leilões da Conab.
A demanda por arroz das variedades nobres e com alto percentual de inteiros (63% acima), segue em alta, com negócios realizados já por até R$ 29,00 no Litoral Norte e R$ 27,00 na Fronteira. Em média, o preço ao produtor gaúcho ficou entre R$ 22,00 e R$ 24,00 na maioria das praças, como Cachoeira do Sul, Rosário do Sul, Alegrete, Guaíba, Rio Pardo, Restinga Seca, São Gabriel e Dom Pedrito. Itaqui e São Borja operam com preços (FOB/produtor) de R$ 23,50 a R$ 24,00, com valorização diferenciada para variedades nobres (Irga 417 e BR Irga 409), que em casos especiais podem chegar até a R$ 27,00. O Rio Grande do Sul deverá aumentar a área plantada em torno de 10%.
ESTADOS
No Mato Grosso, a falta de matéria prima mantém os preços em alta. Arroz da variedade Primavera, com 50% de grão inteiros é uma raridade que alcança cotação de até R$ 28,00 em Sorriso e Sinop, chegando aos parques industriais de Cuiabá e Várzea Grande entre R$ 31,00 e R$ 32,00. A oferta é restrita e os leilões de produto da Conab ajudaram a diminuir a pressão, apesar do ágio quase proibitivo da semana passada. Esta valoração poderá indicar um ligeiro aumento de área na próxima safra.
Em Santa Catarina, o aumento da oferta verificado nos últimos 15 dias fez com que os preços ao produtor não tenham acompanhado a tendência de alta do Rio Grande do Sul. Firmes entre R$ 21,00 E R$ 22,00 os preços do produto em casca em todo o território catarinense, com indicação de R$ 36,00, em média, para o fardo de 30 quilos do branco, tipo 1. Custo dos insumos e falta de áreas próprias para o cultivo deverão manter a área plantada em Santa Catarina.
BENEFICIADO
As indústrias seguem com muita dificuldade de repassar os preços para o varejo, mas algumas marcas conseguiram furar o bloqueio. A média de preços no Rio Grande do Sul alcançou R$ 34,50 para o fardo de 30 quilos, do tipo 1, de arroz gaúcho posto em São Paulo. Marcas de primeira linha seguem cotadas acima de R$ 47,00 e produtos de menor expressão, em busca de colocação no mercado, saem do Rio Grande do Sul por até R$ 29,50. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado é comercializada dentro do Rio Grande do Sul a R$ 48,00, com estabilidade nos preços. Chega em São Paulo entre R$ 60,00 e R$ 63,00.
DERIVADOS
Entre os derivados, a Corretora Mercado indica preços de R$ 28,00 para o canjicão (com aumento de R$ 2,00 por saca) quirera a R$ 22,00, e a tonelada do farelo de arroz por R$ 235,00, demonstrando que a alta nos preços do produto finalmente se refletiram de forma mais incisiva nos derivados e subprodutos.
Para a semana que vem, os analistas de mercado seguem esperando alta nos preços do arroz gaúcho e do Mato Grosso e a já atrasada reação nos preços catarinenses.


