Preços do arroz no RS sobem e expectativa para a próxima semana é de ajustes positivos
Por Cleiton Evandro dos Santos*
O mercado de arroz no Rio Grande do Sul segue marcado por ampla oferta e baixa reação das cotações, além da expectativa de uma boa colheita ampliando a pressão de uma grande oferta no futuro próximo. Com isso, as perspectivas para 2026 apontam baixa probabilidade de valorização expressiva, o que se faz absolutamente necessário diante dos custos de produção elevados e preços ao produtor que podem ser considerados aviltantes.
O câmbio reforça esse cenário. Com o dólar abaixo de R$ 5,30, a competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional diminuiu, dificultando novos contratos de exportação do arroz branco, principalmente. Ainda assim, os embarques continuam relevantes como estratégia de escoamento de excedentes. Houve demanda pontual para atender a novos e velhos contratos nesta semana, em especial para quebrados e “paddy”. O México retirou a isenção para as exportações de arroz brasileiro, o que acrescentou uma taxa variável de 10% a 12% ao grão nacional na disputa por aquele mercado.
Em janeiro, o Porto de Rio Grande teria embarcado cerca de 140 mil toneladas, em base casca, segundo as line ups divulgadas pelos operadores. Mais 50 mil toneladas estariam programadas. A maioria destes volumes diz respeito a quebrados de arroz
O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul registrou avanços consistentes ao longo da última semana, impulsionado principalmente pela busca de recomposição de estoques, maior atividade de compradores e fatores sazonais que aqueceram a demanda. Segundo o Indicador CEPEA/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, pagamento à vista), os preços passaram de R$ 52,85/sc de 50 kg na segunda-feira (19) para R$ 53,72/sc na sexta-feira (23), acumulando alta semanal de 1,65%.
Nos 25 dias deste mês, por duas vezes o indicador chegou a registrar queda máxima acumulada de -1,12%. Na última sexta-feira, 23 de janeiro, a variação marcava retração de apenas 0,51%, praticamente estabilidade. Em dólares, o menor valor da saca foi de US$ 9,81, enquanto o maior, registrado na sexta-feira, alcançou US$ 10,16.
Na terça-feira, 20, o indicador avançou 0,79%, encerrando em R$ 53,27/sc, movimento atribuído à disputa por lotes escassos em algumas microrregiões, onde compradores elevaram ofertas para atrair vendedores. Nos dias seguintes, a pressão por recomposição de estoques manteve o mercado aquecido: na quarta (21), a alta foi de 0,45%, para R$ 53,51/sc, enquanto na quinta-feira (22) os preços subiram 0,27%, atingindo R$ 53,65/sc.
O aquecimento da demanda foi sustentado também pela entrada de novos contratos de exportação, pela procura por arroz da safra passada no Sul do Brasil e pelo término do carregamento do grão para os leilões da Conab, que devolveu o foco da cadeia produtiva ao mercado spot.
COLHEITA
Enquanto Santa Catarina já iniciou a colheita, no Rio Grande do Sul a expectativa é de primeiros movimentos apenas em fevereiro. As baixas temperaturas do início de janeiro, o frio noturno, associados à umidade e ventos com temperaturas mais baixas do que o normal à noite, contribuíram para dois fenômenos: o alongamento do ciclo das plantas e danos às pontas das folhas, que apresentam coloração amarelada e alaranjada, cujos impactos só poderão ser avaliados na colheita. Outro fator importante é o surgimento de casos de brusone, doença fúngica significativa, detectada em todas as regiões produtoras do RS, que pode afetar a qualidade do grão e a produtividade final.
MERCOSUL
No âmbito internacional, a Argentina segue registrando chuvas acima da média, com lavouras em condições apenas boas e percentual de área em estado “muito bom” abaixo do normal. No Uruguai, além da redução da área cultivada, a semeadura sofreu atraso substancial, e o clima mais chuvoso, encoberto e úmido, com noites frias, indica que dificilmente se repetirão produtividades recordes.
Já no Paraguai, a colheita está em andamento, com cargas de arroz em casca sendo negociadas a US$ 160 a tonelada, FOB Fronteira — equivalentes a US$ 8,00 por saca ou R$ 42,32/saca. Para chegar à indústria paulista, estima-se acréscimo médio de mais US$ 1,00 de frete, valor ainda maior para o complexo industrial mineiro, o que faz com que, neste momento, a margem de comercialização seja baixa.
Nos Estados Unidos, as entidades apontam que os arrozeiros estão acumulando perdas médias de US$ 210,00 por hectare, razão pela qual as entidades de produtores cogitam uma retração que poderia chegar a 30% na área semeada a partir de maio. Segundo compradores que atuam no Mercosul e nos EUA, o gigante da América do Norte dispõe de bom volume de grão, mas de baixa qualidade, razão pela qual os países do ocidente, em especial da América Central e Caribe, têm evitado as aquisições. Em muitos casos, a indústria internacional alega que o “lucro” está nos agregados do beneficiamento, logo embora a preços competitivos, preferem adquirir o grão de melhor qualidade no Mercosul.
SANTA CATARINA
Na última sexta-feira, no norte catarinense, ocorreu a abertura oficial da colheita do arroz de Santa Catarina, evento marcado por discursos que destacaram a resiliência e a capacidade de luta dos produtores, simbolizando o momento vivido pela cadeia arrozeira. Durante o encontro, foram feitas reivindicações a autoridades políticas por medidas que assegurem condições de competitividade ao arroz brasileiro frente ao cenário internacional.
Na sexta-feira, 23, o preço no RS praticamente se estabilizou, com leve alta de 0,12% (R$ 53,72/sc), refletindo liquidez ainda limitada no mercado spot. Produtores seguiram apresentando contrapropostas, restringindo a velocidade das transações, em um verdadeiro “puxar e empurrar” entre compradores e vendedores.
De modo geral, os analistas projetam ajustes positivos para a próxima semana, sustentados pela pressão de demanda da indústria, pela escassez relativa de arroz disponível, pela continuidade das movimentações de exportação e pelo foco renovado no mercado spot. A expectativa é de que os preços continuem mostrando tendência de alta gradual, à medida que os agentes buscam equilibrar estoques e atender à demanda interna.
*Analista de AgroDados/Planeta Arroz


