Preços do arroz seguem em queda em semana movimentada
Os preços do arroz em casca seguem despencando no Sul e no MT, apesar dos protestos de arrozeiros.
Mesmo com o protesto dos arrozeiros que seguraram por dois dias o ingresso de arroz do Mercosul no Brasil, os preços do cereal em casca seguem despencando nos três principais mercados produtores do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso.
No Rio Grande do Sul, o saco de 50 quilos do arroz em casca padrão (58% de inteiros) está sendo cotado em média a R$ 26,50 e com viés de baixa. Já são confirmados casos de vendas por até R$ 25,00 para cargas de 12 a 30 mil quilos. A comercialização do produto em casca é mínima e segue pressionada pelo excesso de produto no mercado. Estima-se que o Rio Grande do Sul ainda tenha em estoque 35% da produção colhida, aproximadamente 2,1 milhões de toneladas do produto.
Santa Catarina, terceiro maior mercado produtor do Brasil, segue a mesma tendência de preços. No Sul Catarinense (Araranguá/Criciúma), o arroz é cotado entre R$ 26,00 e R$ 28,00. A cotação é a mesma do nordeste daquele estado (Itajaí/Blumenau). Em Rio do Sul as cotações estão cerca de R$ 1,00 acima das demais regiões, com média de R$ 28,00.
No Mato Grosso segue o declínio dos preços do arroz. O estoque restante da variedade Primavera, de maior aceitação pela indústria, está sendo cotado a R$ 27,00 em Sinop e R$ 28,00 em Sorriso (saco de 60 quilos). O arroz Cirad 141 de melhor rendimento chega a ser cotado a R$ 29,00 em algumas regiões, mas em Sorriso e Sinop as cotações médias ficam entre R$ 25,00 e R$ 26,50.
BENEFICIADO
O mercado do arroz beneficiado chega nesta quinta-feira tão frio quanto na semana anterior. Pouca demanda e também poucas consultas junto às principais indústrias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso.
O fardo de 30 quilos do arroz gaúcho beneficiado está sendo posto em São Paulo por valores entre R$ 36,00 e R$ 38,00. O saco de 60 quilos, que na semana passada era colocado a R$ 72,00 (R$ 57,00 FOB), entrou a semana cotado a R$ 69,00 (R$ 53,00/54,00 FOB). Situação similar vive o beneficiado catarinense.
As indústrias gaúchas já se adaptaram à nova pauta divulgada pelo Governo do Estado na semana que passou. Para o saco de 60 quilos beneficiado, Tipo 1, a pauta baixou de R$ 70,00 para R$ 65,00. No caso do Tipo 2, a pauta baixou para R$ 58,50. Para o fardo de 30 quilos, a pauta ficou em R$ 33,00 e para o Tipo 2, em R$ 30,00.
MATO GROSSO
O fardo de 30 quilos arroz beneficiado do Mato Grosso está sendo colocado a R$ 34,00, preço final em São Paulo. O saco de arroz beneficiado de 60 quilos (Primavera), está cotado a R$ 67,00/R$ 68,00 preço final. O Cirad, na faixa de R$ 60,00 a R$ 62,00, muito próximo dos valores do arroz beneficiado do Mercosul.
Uma grande empresa do Centro-Oeste tem colocado o fardo de 30 quilos, Tipo 1, ao preço final R$ 31,50 no Espírito Santo, segundo relato de representantes comerciais da região. Algumas indústrias instaladas no Centro-Oeste estão deixando de operar por falta de matéria-prima, pois o arroz Primavera de qualidade praticamente acabou na região. Algumas marcas beneficiadas da região têm apresentado problemas de cocção (cozimento) e estão sendo devolvidas.
TAILÂNDIA
Um fato novo gerou grande preocupação no setor esta semana. Empresas paulistas estão adquirindo lotes significativos de arroz 100 B da Tailândia, produto que chega ao mercado brasileiro na faixa de R$ 62,00 o saco de 60 quilos beneficiado. Está competindo diretamente na faixa de preços do arroz Cirad do Centro-Oeste.
A forte queda dos preços internacionais com a entrada da safra norte-americana, a partir de setembro, e o baixo percentual da Tarifa Externa Comum, favorecem o ingresso de arroz tailandês no já saturado mercado brasileiro.
MERCOSUL
Mesmo com o bloqueio dos arrozeiros, segue entrando arroz do Mercosul no Brasil. A expectativa é de uma restrição mais forte nos próximos dias a partir de ações judiciais que estão sendo elaboradas a pedido dos arrozeiros gaúchos. A preocupação das empresas uruguaias já é sentida, pois esta semana passaram a informar que é escassa a oferta de pequenos lotes, forçando a venda de maiores volumes. O mercosul teria, ainda, 500 mil toneladas de arroz (base casca) para internalizar no Brasil até fevereiro.


