Preços em queda e próximos da paridade

As cotações do arroz em casca e beneficiado no Brasil registraram mais uma semana de queda. Agora, estão muito próximas da paridade com o produto do Mercosul.

A semana fechou com o registro de mais uma queda nas cotações do arroz em casca no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso. A média para o saco de arroz de 50 quilos com 58% de inteiros em casca no Rio Grande do Sul fechou em R$ 26,00 na maioria das regiões produtoras. E com viés de baixa para a próxima semana.

O arroz “fraco”, entre 52% e 56%, comercializado no Rio Grande do Sul já oscila entre R$ 22,00 e R$ 23,00. Este produto destina-se principalmente para a produção de arroz parboilizado. As cotações, no entanto, raramente são indicativos de negócios. A oferta por parte dos arrozeiros é pequena e alguns conseguem preço melhor, entre R$ 0,30 a R$ 1,00 por saco. Nota-se, neste momento, muitos proprietários de terras vendendo parte do arroz que receberam de arrendamento e ofertas “picadas” na faixa de uma a duas cargas de caminhão.

Analistas de mercado julgam que, de uma maneira geral, neste momento os produtores de menor poder aquisitivo já venderam toda a safra e fizeram média acima de 10 dólares/saco, o que é considerado muito bom. Quase a totalidade do produto que resta na propriedade e nas cooperativas estaria na mão de arrozeiros capitalizados e que esperavam uma reação nos preços para vender um volume maior no pico da entressafra.

Os mesmos analistas não acreditam em reação nos preços pelo menos nos próximos 45 dias, diante do atual cenário de comercialização.

A formalização dos contratos de opção privados (que ainda depende muito da boa vontade da indústria) e a entrada do Governo Federal formando algum estoque (cerca de 300 mil toneladas) é considerada como a cartada final para reequilibrar os preços do arroz ao menos com o custo de produção projetado em R$ 29,99 (saco de 50 quilos) no Rio Grande do Sul, pelo Irga.

O sul catarinense mantém cotações muito próximas do arroz gaúcho, mas com mais arroz de qualidade superior. Estima-se que 30% da safra gaúcha 2003/2004 ainda esteja na mão de produtores, cooperativas e indústria, índice suficiente para manter a pressão pela baixa.

No Mato Grosso o resto do arroz primavera que ainda está na mão dos produtores é comercializado na faixa de R$ 27,00 a R$ 28,00 (60Kg) quando apresenta boa qualidade. O Cirad de excelente qualidade (mais de 59% de inteiros) chega a estes patamares, mas o tipo padrão (na faixa de 52% a 55%) já é comercializado abaixo dos R$ 25,00.

O arroz em casca brasileiro finalmente chegou no preço de paridade com o Mercosul e a Tailândia, mas aparentemente o mercado ainda não assimilou este fato e segue pressionando por baixa. No final da tarde de sexta-feira, algumas empresas já falavam em rever as tabelas de cotação do casca gaúcho para baixo, na faixa de R$ 25,50. Um dos principais fatores para isso, é o excesso de quebrados da safra gaúcha de 2003/04.

A indústria segue com grande estoque de sobras de engenho (canjicão, quirera, etc…) e o arroz esbramado do Uruguai (em alguns casos) chega na indústria gaúcha abaixo dos R$ 25,00 (equivalência 50 quilos) e dá rendimento de 62% a 63% no engenho, permitindo à indústria, pela legislação brasileira, desovar um pouco do estoque de quebrados e trabalhar na faixa de 58% para Tipo 1.

O arroz do Mercosul segue ofertado no mercado brasileiro, apesar dos protestos dos arrozeiros na semana anterior. A tonelada de arroz esbramado está sendo ofertada (FOB Rio Branco) por 282 dólares. Arroz uruguaio e argentino Tipo 1, beneficiado, chega ao Rio Grande do Sul (posto na indústria) por até 300 dólares/ton.

A pressão ainda é muito grande pelos grandes compradores do centro do país. Esta semana, para as indústrias gaúchas manterem sua fatia de mercado, concorrendo com produtos do Mercosul, da Tailândia e até dos Estados Unidos, a cotação do fardo de 30 quilos, Tipo 1, chegou a R$ 34,00 FOB, o que projeta cerca de R$ 39,00 posto no destino. O saco de 60 quilos beneficiado, com baixa procura, é cotado a R$ 68,00 e R$ 69,00 (CIF).

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