Preços mundiais registram alta em agosto
O informativo mensal do mercado mundial de arroz (InterArroz) publicado pelo pesquisador do Cirad, da França, Patrício Méndez del Villar, registra alta nos preços mundiais em agosto, confirmando uma tendência já verificada em julho
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O pesquisador do Cirad, da França, Patrício Méndez del Villar, registrou em seu informativo mensal do mercado mundial de arroz (InterArroz) uma alta nos preços mundiais em agosto, confirmando uma tendência já verificada em julho. Segundo Villar, a oferta de exportação se encontra escassa, contribuindo para a tendência altista dos preços. Esta, segundo ele, deverá se manter até a chegada da nova safra asiática no final do ano e início de 2006. Por outro lado, nos Estados Unidos, os preços diminuíram uma vez mais em função dos importantes excedentes de exportação previstos para este ano.
Produção e comércio mundiais
Em 2005, segundo as previsões da FAO, o comércio mundial deverá baixar novamente para R$ 25,5 milhões de toneladas, contra R$ 26,6 milhões de toneladas em 2004. Esta contração se deve ao incremento da produção, especialmente nos grandes países produtores da Ásia. Em 2004/05, esta alcançará cerca de 605 milhões de toneladas de arroz em casca, contra 596 milhões de toneladas do ano anterior: aumento de 3%, equivalente a 405 milhões de toneladas de arroz branco.
A produção subiu, sobretudo na China (+12%), onde a recuperação dos preços e a utilização massiva de variedades híbridas têm contribuído para elevar a oferta. No resto do mundo, a produção deve aumentar graças ao incremento das áreas cultivadas e aos melhores rendimentos.
Para o ano comercial 2005/06, espera-se um novo incremento da produção mundial para 610 milhões de toneladas. Apesar disso, a oferta segue sendo insuficiente frente às necessidades de consumo (415 milhões de toneladas de arroz branco), provocando uma nova queda de 6% nos estoques mundiais, para 96 milhões de toneladas contra os 103 milhões de toneladas do ano anterior. Este é o nível mais baixo dos estoques mundiais desde 1982.
Mercado de Exportação
Tailândia
Na Tailândia, os preços aumentaram 3% durante o mês de agosto em função da oferta escassa, apesar de um mercado pouco ativo. A estabilidade dos preços tailandeses deverá continuar graças ao novo ciclo de compras governamentais programada para o último trimestre do ano. As vendas tailandesas caíram 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em agosto, o Tai 100%B subiu para US$ 286/t Fob, contra US$ 280/t em julho. O quebrado A1 Super alcançou US$ 215/t, contra US$ 209/t em julho.
Vietnã
No Vietnã, os preços tiveram uma alta significativa de 7% a 8%, de acordo com a classificação do arroz. O baixo excedente de exportação tem contribuído para a estabilidade dos preços. Em agosto, o Viet 5% abriu atingiu a média de US$ 255/t, contra US$ 236/t em julho. O Viet 25% passou para US$ 235/t, contra US$ 219/t em julho.
Paquistão
No Paquistão, os preços também se orientaram para cima em função da escassa oferta. Estas deverão melhorar à partir de setembro, com a chegada da nova safra ao mercado. Em agosto, o Pak 25% atingiu US$ 241/t, contra US$ 238/t em julho.
Índia
Na Índia, por outro lado, os preços cederam novamente de 2% a 4%, devido à maior oferta de exportação do que o previsto. Graças aos preços mais competitivos, este país espera consolidar sua posição nos mercados de arroz parboilizado do Oriente Médio e da África Austral.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, os preços caíram mais uma vez, em função da chegada da nova safra e dos excedentes de exportação, devido ao incremento de produção em relação ao ano anterior. Em agosto, o arroz Long Grain 2/4 alcançou US$ 276/t, contra US$ 296/t em julho.
Mercosul
No Mercosul, a oferta de arroz é maior este ano, superando as necessidades de consumo e provocando queda dos preços. Isto penaliza especialmente os produtores brasileiros que procuram limitar as importações de arroz da Argentina e do Uruguai para atenuar a tendência depressiva dos preços internos.
África
Na África, a Nigéria, um dos principais importadores mundiais, anunciou mais uma vez um plano de auto-suficiência de arroz para 2006, o que parece ser altamente improvável. Diante da situação de dependência crescente, os países africanos esperam ajuda internacional a fim de incrementar a produção de arroz com a utilização de variedades mais produtivas. As importações africanas já superam quase um terço das importações mundiais.
Mais informações em
http://www.arroz.agr.br/site/interarroz/index.php


