Preços seguem abaixo do mínimo, mas estáveis
Semana de mercado trancado, baixa comercialização e muita expectativa para o anúncio de alguma medida alternativa ao VEP. Analistas já arriscam dizer que preço sobe na virada do ano.
Com a realização do VEP para o arroz sepultada pelo baixo interesse da indústria e a posição contrária da Federarroz, já que não havia segurança que o mecanismo funcionaria a contento e os compradores não jogariam o arroz no mercado interno forçando maior baixa nos preços, a semana foi de mercado bastante trancado. Houve poucos negócios e há grande expectativa para qual a alternativa que a Conab encontrará para liberar espaço nos armazéns para a nova safra gaúcha, dentro de quatro meses.
A remoção parcial dos estoques para estados centrais é uma das alternativas, mas com o Brasil esperando uma supersafra de grãos, principalmente soja, é medida de difícil operacionalização.
Os analistas continuam projetando estabilidade nas próximas semanas e aguardam uma posição da Conab referente aos estoques de passagem, hoje considerados subestimados nos levantamentos da companhia. A própria Conab reconhece a situação, mas aguarda números finais do Censo Agropecuário para fechar os dados finais.
Nota-se uma grande apreensão no setor, mas alguns analistas começaram a arriscar a indicação de que haverá uma recuperação gradual no mercado no final de 2007 e início de 2008, com base principalmente na demanda por arroz de alta qualidade. O Mato Grosso e outros estados seguem buscando arroz gaúcho, mas em volumes muito pequenos.
Um dos analistas ouvidos esta semana por Planeta Arroz assegura que esta recuperação não será tão significativa, mas os preços na virada do ano e no pico de entressafra (janeiro e fevereiro) deverão ficar entre R$ 22,00 e R$ 23,00. Atualmente, a média de preços nas principais praças gaúchas fica entre R$ 21,00 e R$ 21,50, exceto no Litoral Norte, onde o valor praticado é de R$ 24,00 a R$ 25,00 para variedades nobres com até 63% de grãos inteiros. Nesta região, a demanda é mais franca por parte dos compradores do Centro do País por conta do menor valor de frete. Pelotas, Camaquã, Itaqui e Uruguaiana praticam entre R$ 21,75 e R$ 22,50 para o arroz colocado dentro da indústria (frete incluso).
O indicador Cepea/Esalq e BM&F aponta preço médio de R$ 21,90 para o arroz colocado na indústria (frete incluso). Há uma semana, o preço praticado era seis centavos maior. No mês, o acumulado da queda chega a 2,96%, e o arroz retorna ao patamar de preços de quatro meses atrás. Este indicativo desta quinta-feira sugere preços inferiores a R$ 21,00 pago a o produtor em algumas regiões.
Na semana passada, confirmadas vendas abaixo dos R$ 21,00 na Depressão Central e na Campanha para arroz com 57% de grãos inteiros em volumes baixos (seis a oito mil sacos). A postura dos produtores agora, com o fim dos vencimentos do alongamento de custeio em novembro, será muito importante para definir o futuro do mercado. A falta de um dado referencial sobre os estoques, também gera este clima de insegurança sobre o futuro. É corrente entre os especialistas da área que o estoque de passagem será maior que o divulgado pela Conab, mas ninguém é capaz de dimensionar o quanto.
Também permanece a dúvida sobre o volume de arroz estocado que a Conab colocará no mercado ainda este ano/safra. Alguns produtores e até os analistas arriscam a dizer que o excesso nos estoques será exatamente do tamanho das importações brasileiras. Algo com se o Brasil utilizasse seus recursos para armazenar o arroz da Argentina e do Uruguai, numa troca injusta para o produtor nacional.
Cachoeira do Sul, São Gabriel, Rosário do Sul, Dom Pedrito e Restinga Seca e Uruguaiana mantêm preços referenciais pagos ao produtor na ordem de R$ 21,00, com ligeira alta de quinta-feira para sexta-feira, depois de cotações que bateram nos R$ 20,50 em algumas cidades. O arroz colocado na indústria está entre R$ 21,50 e R$ 22,50 em Alegrete, dependendo do padrão. O plantio da safra gaúcha está chegando ao final, com leve atraso, o que poderá interferir no alongamento da entressafra em duas a três semanas. O que não deixa de ser uma boa notícia para os preços, mas talvez não tão boa para o rendimento das lavouras. O Irga indica preços médios de R$ 21,94 para o arroz comercializado esta semana no Rio Grande do Sul.
ESTADOS
Em Santa Catarina, com o plantio concluído muito cedo, a Epagri informa que a lavoura encontra-se em bom desenvolvimento, com mananciais recuperados e garantindo a irrigação. Em algumas regiões, a expectativa é de que a colheita inicie ainda em janeiro, mesmo que em pequeno volume, para assegurar a colheita da soca (rebrote), que costuma gerar de 25 a 40 sacas a mais por hectare apenas com nova aplicação de uréia. Os preços neste estado, no entanto, encontram-se em baixa, segundo dados do Instituto Cepa. A semana termina com média de preços de R$ 21,50, contra média de R$ 21,67 na semana passada, R$ 22,00 há um mês e R$ 22,67 há um ano.
No Mato Grosso, os preços se mantiveram estáveis entre R$ 28,00 e R$ 29,00 nas principais regiões produtoras, em razão da falta de matéria-prima. Algumas indústrias do setor estão se abastecendo no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e até no Paraguai, onde os estoques são baixos. O plantio ainda não está concluído. Os produtores estão contentes com os valores recebidos em 2007, uma média superior a R$ 26,00 e projetam uma safra similar em 2008, ou pouco acima dos volumes de 2007. Não tanto pelo preço, que é convidativo, mas pela obrigação de mudar os sistema de plantio, ainda muito arraigado às áreas em abertura.
O uso de áreas velhas obriga a um manejo diferenciado, subsolagem e uso mais intensivo de insumos, com mais risco do produto deitar, o que gera perdas. Assim, em áreas de abertura, que são poucas, o arroz entrará com força, e em áreas velhas somente para recuperação de pastagens degradadas ou na rotação com outra cultura. A safra abastecerá praticamente só o mercado interno mato-grossense.
INDÚSTRIA
A indústria manteve posição praticamente toda fora do mercado, com compras eventuais e preferencialmente de arroz já depositado ou de parceiros tradicionais. Segue com dificuldades de repassar preços para o varejo, que está encontrando preços ainda mais baixos nas importações de arroz beneficiado. O fardo de arroz gaúcho de 30 quilos (tipo 1), varia entre R$ 34,00 e R$ 35,00, enquanto em Santa Catarina a média fica entre R$ 37,00 e R$ 38,50.
O anúncio feito pela Argentina de suspensão das exportações de trigo, afetou diretamente os derivados do arroz para composição de rações. Na semana, segundo indica a Corretora Mercado, de Porto Alegre, os preços dos quebrados de arroz tiveram uma alta significativa. O canjicão pulou de R$ 32,00 para R$ 34,00 a saca, a quirera chegou a R$ 25,00. O farelo de arroz saltou dos R$ 290,00 para R$ 320,00 a tonelada. Ainda segundo a Mercado, o valor médio do arroz no Rio Grande do Sul é de R$ 21,50.


