Presidente da Farsul discute soluções para endividamento agrícola com Ministro da Agricultura

Carlos Sperotto reiterou as reivindicações do setor ao ministro Roberto Rodrigues.

O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, manteve audiência com o Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, na noite dessa quarta-feira (22.02), em Porto Alegre. Discutiram a situação do setor primário e as dificuldades enfrentadas com o descasamento entre custos de produção e preços agrícolas. Sperotto disse que o governo federal tem conhecimento da crise que atravessa a agropecuária e que estão bem encaminhadas negociações com o Banco do Brasil e o Ministério da Agricultura.

Segundo ele, a tendência “é que ocorra negociação de dívidas caso a caso, porque uma solução geral seria de difícil encaminhamento”.

Sperotto entende que a intenção do Ministro da Agricultura é positiva, uma vez que envolve medidas para sustenação dos preços na safra, prorrogação de vencimentos, mais recursos para a temporada 2006-2007 e uma série de providências para redução de custos.

Roberto Rodrigues admite que “há uma crise real na agricultura que pode causar uma grande redução da área plantada. Para 2007, não haverá problema porque o mundo terá produção suficiente para compensar, mas se a tendência continuar até 2008 e o dólar voltar a subir, como espero, o resultado será inflação”, concluiu o ministro.

O ministro propõe medidas imediatas para ajudar os produtores:

1. Mais R$ 1,5 bilhão para Operações Oficiais de Crédito (OOC) destinadas à formação de estoques oficiais e ao financiamento de outras operações de venda – os Prêmios de Escoamento da Produção e de Risco de Opção Privada. O dinheiro seria aplicado em março, abril e maio, em parcelas de R$ 500 milhões, para socorrer sobretudo produtores de milho e soja.

2. Créditos de R$ 5 bilhões para formação de estoques privados (operações de Empréstimos do governo Federal – EGF). Isso já está definido, segundo Rodrigues, e só falta executar a decisão. No ano passado foram aplicados R$ 3,5 bilhões no primeiro semestre.

3. Prorrogação das parcelas do crédito de custeio da safra 2005-2006 e as parcelas já prorrogadas em 2005 para vencimento em março e abril. O benefício seria estudado caso a caso.

4. Prorrogação de parcelas vencidas em 2005 e 2006 dos programas Pesa, Securitização, Pronaf, Proger Rural, Procera, Prodecer e Fundos Constitucionais. O vencimento seria transferido para 12 meses e depois da última parcela o benefício só seria concedido a quem estivesse em dia com os pagamentos até dezembro de 2004.

5. Destinação de R$ 1,8 bilhão no primeiro semestre para a comercialização pecuária (R$ 0,5 bilhão mais que um ano antes).

6. Reavaliação de ativos apresentados há anos como garantias pelos produtores, para liberação dos valores excedentes. Isso possibilitaria novos financiamentos.

7. Aprovação do programa de integração lavoura-pecuária, que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve examinar na próxima reunião. Esse programa permitirá a rotação de lavouras e pastos, facilitando a recuperação de áreas degradadas.

8. Manutenção dos R$ 45 bilhões previstos no Orçamento para o seguro rural, sem contingenciamento.

9. Ampliação das modalidades do seguro rural e simplificação de procedimentos.

10. Para o Plano Agrícola 2006-2007, aumento o volume de recursos com juros equalizados pelo Tesouro e redução da taxa média. Propõe-se a equalização de juros de R$ 8 bilhões da caderneta de poupança rural e de R$ 3,5 bilhões para programas de investimento da integração lavoura-pecuária.

11. Permitir que bancos privados operem com a caderneta de poupança rural, hoje mantida só pelos Bancos do Brasil, do Nordeste e da Amazônia e pelos cooperativos Bancoob e Bansicredi.

12. Autorizar os bancos privados e cooperativos a repassar dinheiro do FAT, hoje só repassado pelo BB, BNB, Basa, BNDES e Caixa Econômica Federal (a mudança depende de lei).

13. Autorizar o Tesouro a equalizar juros cobrados pelos bancos privados e não só pelos bancos federais e cooperativos.

14. Zerar tarifas de importação de fertilizantes e defensivos.

15. Isentar do PIS-Pasep e da Cofins os insumos para a agropecuária e estender o benefício a carnes, trigo e derivados, soja e derivados e algodão e derivados, entre outros. Hoje são isentos só alguns insumos e arroz, feijão, farinhas de milho e de mandioca, frutas, verduras e ovos. A alternativa seria ampliar o crédito fiscal presumido na compra de produtos agropecuários. Hoje o crédito fiscal presumido é de 60% para produtos animais e de 35% para vegetais.

16. Criar um Fundo de Catástrofe, realimentável pelas operações de seguro. O atual Fundo de Seguro Rural se esgota em cada exercício.

17. Estender aos produtores de soja do Centro-Oeste os benefícios fiscais do programa do biodiesel.

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