Pressão de oferta e estabilidade no Sul. Leve aquecimento no MT

A semana que se encerra registrou um ligeiro aquecimento nos negócios com cirad e primavera no Mato Grosso, com valorização de R$ 0,50 por saco de 60 quilos no último caso. No Rio Grande do Sul os preços foram mantidos em todas as regiões, com ligeiro aquecimento nos negócios com beneficiado no Litoral Norte. Os arrozeiros começaram a ofertar mais produto em casca, mas ainda sem reflexo no mercado.

Em uma semana muito movimentada para o mercado de arroz, em torno da expectativa pelos leilões dos contratos públicos e privados de opção e também, vencimento do custeio e possibilidade de prorrogação dos financiamentos, pequeno aquecimento foi verificado para o arroz em casca no Mato Grosso e para o beneficiado no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

CASCA

O arroz em casca no Rio Grande do Sul é cotado entre 19,50 e R$ 20,00 na maioria das regiões, com maior valorização no Litoral Norte e na Fronteira Oeste para produto acima de 60% de inteiros. É grande a procura pelo cultivar Irga 417, que chega a pagar R$ 2,00 a mais por saco de 50 quilos com mais de 60% de inteiros. Mesmo assim, os preços estabilizaram no estado. Em Dom Pedrito e Bagé – na Campanha gaúcha – o arroz segue cotado a R$ 19,50.

Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel e Uruguaiana operam com R$ 19,75 para o saco de 50 quilos do arroz em casca com 58% de inteiros. Pagamento à vista. São Borja e Itaqui pagam R$ 20,00 a R$ 20,50. Chegando aos R$ 23,00 para Irga 417 e Irga 409 com 60% de inteiros acima, num nicho aquecido do mercado. Cachoeira do Sul cota o arroz padrão a R$ 20,00, mas registra poucos negócios.

No Litoral Norte, o arroz com 63% é cotado a R$ 23,00, com bastante procura pela variedade Irga 417. Em compensação o cultivar Irga 422CL é cotada R$ 1,00 abaixo dos preços médios pagos a outras variedades. O 422CL teve muitos problemas de “barriga branca” na região, mas mostrou-se eficiente ferramenta para eliminar inços como o arroz vermelho.

Em geral, mesmo com os leilões dos contratos públicos e privados de opções, os produtores passaram a ofertar mais arroz em casca esta semana. O vencimento da primeira parcela de custeio nesta sexta-feira (15), é uma das causas. Muitos produtores não confiam na prorrogação ou pensam que o custo será maior e preferiram comercializar o produto e quitar a parcela. A expectativa de pegar uma carona nos valores dos contratos de opção também gerou esta oferta. Mesmo assim, poucos negócios foram realizados, pois a indústria não consegue repassar os preços aos supermercadistas. A expectativa é de um aumento de oferta na próxima semana.

No Sul Catarinense, segundo dados do Instituto Cepa, o arroz em casca (50kg) é cotado a R$ 19,00. Na região de Joinville e Itajaí este valor cai para R$ 18,75. A semana mostrou um leve aquecimento na oferta também.

MATO GROSSO

O Mato Grosso viveu uma semana com dinâmica diferenciada. De segunda-feira à quarta-feira poucos negócios foram realizados. De quarta-feira para esta sexta-feira (15), foram acelerados os negócios. Jorge Fagundes, da Corretora Futura, de Cuiabá (MT), informou que os produtores passaram a ofertar mais arroz por causa do vencimento do custeio e porque as indústrias de parboilização abriram a compra de arroz cirad até então vinham preferindo o primavera.

O saco de 60 quilos de arroz primavera com mais de 50% de inteiros foi valorizado em R$ 0,50. Passou a ser cotado em R$ 21,00 posto em Cuiabá, mas em pequenos volumes. Mesmo assim, a semana terminou aquecida, com bastante produto sendo classificado para oferta na próxima semana.

Um grande negócio foi fechado esta semana no Mato Grosso, com uma empresa paulista comprando 150 mil toneladas de arroz primavera de boa qualidade por R$ 20,00 FOB em Nova Maringá (R$ 22,60 posto em Cuiabá). Mesmo assim, os cerealistas não estão dispostos a pagar mais do que R$ 21,00 pelo produto posto em Cuiabá, forçando para manter os R$ 20,50. A expectativa na próxima semana é de um maior volume de oferta de arroz em casca ao mercado.

BENEFICIADO

A comercialização de arroz beneficiado esta semana manteve-se morna nas principais praças gaúchas e catarinenses. O Litoral Norte – principalmente – e a Fronteira-Oeste gaúcha tiveram ligeiro aquecimento. A principal característica da semana foi a presença de compradores aceitando as tabelas das indústrias gaúchas e catarinenses. Os descontos que vinham sendo concedidos reduziram bastante e muitos negócios foram fechados nos patamares das tabelas. O fardo de 30kg do arroz gaúcho Tipo 1 chega a São Paulo por preços que variam de R$ 28,50 a R$ 34,00 – final. O preço mais comum é de R$ 31,00 em São Paulo e R$ 34,00 em Belo Horizonte (MG) e no Rio de Janeiro. O saco de 60 quilos do beneficiado segue cotado a R$ 40,00 para pagamento à vista (FOB) e R$ 41,00 com 12 dias de prazo – R$ 54,00 posto em São Paulo. O saco de 60 quilos beneficiado do Mato Grosso chega a SP com preço final de R$ 50,00 (primavera) e R$ 46,00 (cirad).

No Mato Grosso, o mercado manteve uma certa estabilidade com relação a São Paulo, mas mantém-se mais aquecido com relação ao Nordeste. O fardo de 30 quilos do arroz primavera de marcas do MT chega a São Paulo por R$ 26,00 a R$ 31,00. Do cirad pode ser negociado entre R$ 23,50 e R$ 26,50. Os derivados – quirera e canjicão – seguem com bons negócios. A quirera manteve o preço de R$ 20,50 (FOB) e o canjicão é negociado na faixa de R$ 24,00 (FOB).

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