Previsão de custos freia nova safra de arroz no MT
Pelos cálculos da Conab, saca de 60 quilos de arroz em MT vai custar R$ 28 ao produtor na safra 2005/2006.
A primeira estimativa de intenção de plantio divulgada no começo do mês pela Associação dos Produtores de Arroz de Mato Grosso (APA/MT) aponta uma redução de 60% na área plantada para a nova safra, em função do incremento do custo de produção. Para garantir uma cobertura maior de área, a APA/MT está solicitando ao governo federal a revisão do preço mínimo para o arroz produzido no Mato Grosso, para pelo menos atingir o valor do custo de produção.
De acordo com o presidente da APA/MT, Ângelo Maronezzi, os altos custos de produção estão inviabilizando a cada safra a produção estadual. Na safra 04/05, foram cultivados, segundo dados do IBGE, 856,72 mil hectares (ha). Pelos cálculos da APA/MT, o custo médio ficou em cerca de R$ 1,4 mil/ha.
O presidente explica que de acordo com uma estimativa de custos, elaborada em abril pela Conab, a nova safra de arroz terá custo de R$ 1,87 mil por hectare. A projeção aposta em uma produtividade de 4 mil quilos/ha. Nestes valores teremos um custo por saca de 60 quilos de R$ 28,09, nesta nova safra.
Maronezzi lembra que o novo Plano Safra 05/06 não traz definição para preços mínimos da saca em Mato Grosso. Enquanto na safra 04/05 nosso custo médio, entre variedade Cirad 141 e Primavera, ficou entre R$ 25 e R$ 26, temos um mercado pagando atualmente R$ 17,50 para Primavera e R$ 12,50 para Cirad 141. Maronezzi explica que a viabilização da cultura depende da revisão, ou seja, tem de ser um valor pelo menos igual ao custo projetado pela própria Conab.
O custo de produção projetado para a próxima safra desestimula qualquer iniciativa de plantio sem a garantia de um preço mínimo. Com os valores atuais de mercado, seria necessário produzir aproximadamente 125 sacos de arroz/ha para saldar a dívida. Uma produtividade impossível de alcançar com as cultivares Cirad 141 e Primavera, justifica.
O ajuste do preço mínimo seria uma das ações necessárias ao setor, para que a produção de arroz no Mato Grosso não sofra uma redução de área de plantio ainda mais acentuada que os 60% já previstos.
O produtor já contabiliza um grande prejuízo da safra passada (04/05), devido ao excesso de oferta, mesmo tendo uma produção brasileira atendendo à demanda interna, sofre-se concorrência com a entrada de arroz do Mercosul autorizada pelo governo federal.
Maronezzi explica ainda que de uma safra para outra os preços despencaram no Estado, fruto de um excesso que vem das importações ilógicas do Mercosul, autorizadas pela União.
O presidente destaca que em junho do ano passado a cotação interna da saca em Mato Grosso para arroz 52/68, branco, tipo longo fino, era de R$ 30 para a variedade Primavera e de R$ 23 para Cirad 141. Neste mês, a Primavera é comercializada a R$ 17,50 e a Cirad 141 R$ 12,50. Reflexo do excesso de arroz no País e da desclassificação do Cirad 141, pela Conab, que deixou de ser longo fino, para apenas longo.


