Produção de SC maior, mercado pouco ágil e preços baixos

Teve pouco impacto sobre a produção de arroz o fenômeno da estiagem, que até há pouco causou prejuízos ao território e à população deste e de outros estados brasileiros.

A primeira avaliação de perdas da safra catarinense de 04/05 aponta para um acréscimo de 2,3% na área plantada com arroz, de 1,7% no rendimento médio e de 4,1% na quantidade produzida.

Portanto, o arroz desta safra ocupou por volta de 155,3 mil hectares. Deve render quase 6,8 toneladas por hectare e, então, produzir pouco mais de 1,05 milhão de toneladas.

O arroz irrigado desta safra responde por mais de 95% da área cultivada e por mais de 99% da quantidade produzida.

Em relação à safra 03/04 mostrou um acréscimo de 3,5% em área (em torno de 148,3 mil hectares), de quase 1% no rendimento médio (superando levemente 7 t/ha).

Em produção cresceu, portanto, 4,5%, chegando a 1,047 milhão de toneladas.

Por seu turno e sem surpresas – dado o fenômeno climático – o arroz de sequeiro recuou quase 20% em área (para 7 mil ha) e, quase 30% em rendimento por área (para 807 kg/ha).

Assim sendo, entre as duas últimas safras, a produção do sequeiro catarinense caiu 42% ficando reduzida a 5,7 mil toneladas.

Mesmo assim, houve alguns danos à produção do irrigado.

Sua causa principal, porém, não foi a estiagem.

Na região Litoral Norte do estado (Jaraguá do Sul), por exemplo, a safra do primeiro corte das plantas, já totalmente realizada, registrou redução de produtividade, estimada em 10% da inicialmente esperada.

Tende-se a atribuir esse fato à friagem ocorrida entre novembro e dezembro, que atingiu o arrozal plantado mais cedo – melhor aproveitar a soca (segundo corte da planta) – em plena floração.

As perspectivas de produção e produtividade da soca, ao contrário, são animadoras.

Em várias regiões do Sul do estado, mesmo em Araranguá, a maior produtora, houveram perdas de pequena expressão, por efeito da estiagem (falta d’água e salinização).

Deve resultar disso, alguma queda de produtividade em uns poucos municípios.

A nova conjuntura das safras dos três estados maiores produtores vem determinando modificações no seu comportamento de mercado.

Este, ainda não alcançou – e, no curto prazo, não se espera que alcance – grande intensidade, mesmo com o avanço da entrada da nova safra.

Alguns elementos, como o término da estiagem, limitando a possibilidade de ampliar a quebra da produção gaúcha e, a menor intensidade de comercialização do grão para beneficiamento, vem promovendo nova etapa de retração de preços, no Rio Grande do Sul e Sul de Santa Catarina e de estabilização nas demais regiões catarinenses.

No Mato Grosso, o encarecimento dos fretes, devido à piora das condições das estradas – decorrente das chuvas – vem-se comportando como um elemento de contra-pressão sobre a comercialização e os preços do cereal.

Assim, desde meados de março último, o preço da saca de 50 kg ao produtor recuou 7,1% (para R$ 26,00), em Capivari (62% de inteiros), 5,1% em Pelotas (para R$ 24,25), 2,9% em Cachoeira do Sul e 3,9% nas restantes (para R$ 24,50).

Nas principais praças mato-grossenses, no mesmo período, os preços ao produtor se alteraram apenas em Rondonópolis, caindo R$ 0,50 por saca de 60 kg.

Seguem variando entre R$ 19,50 e R$ 21,00 a saca.

Nas principais praças catarinenses, os preços da saca de 50 kg do arroz em casca mostraram-se estáveis, em torno de R$ 22,00 no Vale do Itajaí e no Litoral Norte (Jaraguá do Sul) – apenas em Blumenau e Itajaí tiveram um acréscimo de R$ 0,50/saca.

No Sul do estado houve recuo de R$ 1,00/saca, no mesmo período – para R$ 24,00 em Criciúma e Araranguá e para R$ 23,00 em Laguna e Tubarão.

Os preços do beneficiado no atacado paulistano não se alteraram nesse período.

A saca de 60 kg (base CIF e prazo de 30 dias, e com ICMS) do Agulhinha tipo 1 ficou em R$ 61,00, do tipo 2 em R$ 58,00 e, do tipo 3 em R$ 53,00.

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