Produção inviabilizada no arroz do Mato Grosso
Nova classificação do aRizicultores reclamam que a cultura por si só é cheia de risco no Estado e que reclassificação vai depreciar grão
rroz é considerada obstáculo para MT. .
A nova classificação para os padrões do arroz em casca poderá inviabilizar a produção do cereal em Mato Grosso. O alerta foi feito ontem pelo presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan, que aponta discrepâncias na iniciativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que estipulou o próximo dia 31 de março como prazo máximo para a realização de consultas e apresentação de sugestões para a mudança.
Galvan entende que uma nova classificação vai criar dificuldades ainda maiores aos produtores, que viveram problemas com o veranico no período da safra.
– O setor está muito preocupado, pois o arroz é uma cultura de risco muito alto. Se colocarem mais obstáculos, a atividade se tornará inviável.
Segundo ele, o Mapa quer mudar as normativas em relação à questão dos descontos adotados conforme a qualidade do arroz. Defeitos, picada de insetos e arroz amarelado, por exemplo, podem gerar descontos na classificação do produto da lavoura ao armazém e que vão depreciar o valor pago ao produtor. Galvan diz que se o arroz não está apresentando problema nenhum para consumo, não haveria razão para aumentar os descontos.
A classificação do arroz se dá pela quantidade de grãos quebrados que ele apresenta. O tipo 1 pode ter no máximo 10% de grãos quebrados. O que o Mapa propõe é que o tipo 1 só tenha até 4% de grãos quebrados.
– Significa que o arroz tipo 1, o agulhinha produzido em Mato Grosso hoje, se transformaria em tipo 2 ou 3 – alertam os produtores.
Para Antônio Galvan, uma nova classificação vai afetar produtores de todo o Estado e desestimular ainda mais a rizicultura em Mato Grosso.
– Perdemos mercado, pela questão da logística, por causa da entrada de arroz importado e do baixo preço do arroz gaúcho. Se colocarem mais barreiras em nossos produtos ficaremos sem mercado. Vamos ter que abandonar a atividade.
João Eduardo Cerquetti, produtor na região de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá), também acha que a nova classificação vai ser prejudicial ao setor.
– O arroz produzido em Mato Grosso vai cair de tipo 1 para tipo 2. Para nós, que já chegamos a ocupar a segunda colocação no ranking de produção no país, este será mais um golpe – frisou.
Segundo ele, a mudança de classificação do arroz produzido no país só atingirá estados que compõem a fronteira agrícola, como Mato Grosso.
– Pelas dimensões do país e diversidades socioeconômicas e culturais, é importante que se evite o estabelecimento de padrões de classificação cujos parâmetros sejam estabelecidos a partir de mercados mais sofisticados ou de preferências regionais – frisou.
PRODUÇÃO – Os novos padrões de classificação podem tornar mais desvalorizada a produção de Mato Grosso, que este ano deverá apresentar nova queda. A expectativa da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), segundo Antônio Galvan, é de uma safra de 700 mil toneladas, para uma área plantada de 250 mil hectares.
– Nós, entretanto, não acreditamos que a área passará de 200 mil hectares e a produção não chegará a 600 mil toneladas.
As variedades que mais se destacaram nesta safra em Mato Grosso foram o Primavera, Cirad Cambará, Sertanejo e Ipê, com maior destaque para o primeiro.
Mato Grosso já chegou a ocupar a segunda colocação no ranking dos produtores, com área plantada de 750 mil hectares e produção de dois milhões de toneladas, como foi na temporada 03/04 e 04/05.
CLASSIFICAÇÃO – Atualmente, de acordo com o Mapa, o arroz tem seis classificações: tipos 1, 2, 3, 4, 5 e abaixo do padrão.
A equipe técnica do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) simulou a classificação com uma amostra significativa da produção gaúcha na safra passada, buscando avaliar os impactos para o setor. O estudo evidenciou que a proposta é extremamente prejudicial ao setor produtivo, e que necessita de ajustes pontuais.
– Os novos critérios enquadram uma situação não compatível a real qualidade do arroz gaúcho – afirma o engenheiro do Irga, Gilberto Amato.
Para o presidente do instituto, Maurício Fischer, a prorrogação do prazo para a discussão da nova classificação foi necessária já que a atual portaria tem duas décadas.
– O Irga está concluindo uma análise desenvolvida no estado, com amostras de arroz em casca de todas às seis regiões arrozeiras – justifica, ressaltando que o resultado permitirá embasar o encaminhamento de proposições.
PADRÃO – A meta do Ministério é melhorar a qualidade do produto oferecido ao consumidor, procurando reduzir as discrepâncias existentes entre a legislação e o praticado pelo mercado. Além disso, existe também a necessidade de aproximar o padrão de classificação brasileiro com o internacional.


