Produtor de arroz espera reação no final do ano
A expectativa do setor está amparada nos mecanismos de comercialização do governo, nas exportações e na necessidade das indústrias.
Os produtores de arroz estão à espera de uma reação no mercado nos últimos meses deste ano. Embora o momento seja de descapitalização provocada pelo excesso de oferta, negócios lentos e preços baixos, há indícios de que o cenário possa se modificar até o final de 2005. A expectativa do setor está amparada nos mecanismos de comercialização do governo, nas exportações e na necessidade das indústrias. A partir desta semana, deve ter início a aplicação de medidas como as Aquisições do Governo Federal (AGFs) e os leilões de contratos de opção privada com vistas ao mercado externo.
A indicação de que a próxima safra terá problemas de produtividade em função dos baixos investimentos na lavoura também pode ajudar a mexer nas cotações.
– As indústrias precisarão comprar de qualquer forma, para se reabastecer, e aí poderemos chegar a valores entre R$ 20,00 e R$ 23,00 pela saca, o que já deveria ter ocorrido há mais tempo – aponta Amilton Soares, diretor administrativo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
O movimento em direção ao arroz gaúcho já surgiu na semana passada, quando uma indústria de São Paulo demonstrou interesse em realizar compras.
– Isso já é um bom sinal para o nosso produtor – avalia Pery Coelho, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). No momento, os orizicultores do Estado recebem, em média, R$ 16,64 pela saca de 50 quilos. O valor é bem inferior ao praticado no mesmo período do ano passado, de R$ 29,67 pela saca, e do custo de produção, calculado em R$ 30,00.
A cadeia produtiva ainda espera a liberação efetiva dos R$ 600 milhões anunciados pelo governo para ajudar na comercialização de produtos agrícolas, o que inclui o arroz. Desse total, R$ 370 milhões envolvem o cereal produzido no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, lembra o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS).
– O recurso de R$ 45 milhões de AGF que entrará em vigor agora servirá para atender pedidos já existentes na Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) – observa.
O excedente provocado pela safra de 13,2 milhões de toneladas colhida pelo País no período de 2004/2005 ainda vai resultar em um grande estoque de passagem neste ano, calculado em cerca de 2 milhões de toneladas. Nesse momento, o incentivo às exportações é fundamental para enxugar o mercado interno. Mesmo que ainda não sejam expressivos, os volumes comercializados pelo Brasil surpreendem em relação a 2004.
Segundo levantamento da Safras & Mercado, até agosto, as vendas externas alcançaram 245,5 mil toneladas base casca.
– Na mesma época do ano passado, esse comércio foi de apenas 8,5 mil toneladas – compara o analista da agência Aldo Lobo. O principal destino do produto nacional é o Senegal, e a expectativa é de que as exportações possam chegar a 450 mil toneladas até dezembro. Pelo porto do Rio Grande, foram embarcadas 91 mil toneladas de arroz a granel até julho.


