Produtor planta por falta de alternativas, diz presidente da Conab
Safra 2005/06: produtor não teve opção senão plantar, diz governo.
O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Jacinto Ferreira, afirmou que o agricultor não teve alternativa e voltou a plantar neste ano apesar da recente crise. Essa é a mesma interpretação do secretário executivo do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto.
– O agricultor tem uma infra-estrutura montada. Ele não tem opção. Mesmo com o ano agrícola desfavorável, ele volta a plantar – disse Guedes ao divulgar os números da primeira intenção de plantio para a safra 2005/06.
O secretário lembrou que o Ministério da Agricultura terá R$ 554 milhões para apoiar a comercialização de 3,2 milhões de toneladas. Do volume total, 900 mil toneladas de grãos serão compradas para os estoques estratégicos da Conab, que somarão ao final do ano-safra 4 milhões de toneladas. Guedes Pinto lembrou que a estimativa inicial era de colheita de 131 milhões de toneladas na safra 2004/05, mas que o clima adverso na região Centro-Sul reduziu esse volume para 113 milhões de toneladas.
Com a quebra de safra, os produtores perderam R$ 17 bilhões em renda. Sem esse dinheiro os agricultores deixaram de comprar insumos, agrotóxicos (-20% nas vendas), máquinas agrícolas (-40%) e corretivos para o solo.
– Se as condições climáticas forem normais, a produtividade das lavouras voltará aos níveis históricos, pois 2005 foi um ano muito ruim em termos de produtividade.
Guedes Pinto também comentou a expectativa de produção de trigo na safra atual. O trigo tem um calendário diferenciado e o produto que está sendo colhido agora é considerado safra 2005/06. A produção está estimada em 4,885 milhões de toneladas, queda de 16,4% em relação às 5,845 milhões de toneladas na safra anterior.
– A queda nos preços no mercado mundial desestimulou o plantio – disse Guedes.
Outro produto prejudicado em termos de preço foi o arroz. A oferta total, considerando as importações, é de 15,434 milhões de toneladas contra consumo de 12 milhões de toneladas.
– Esses números explicam por que os preços do arroz caíram tanto nos mercados – disse o secretário.
Ele explicou também por que a área plantada total com grãos cairá entre 5,7% e 3,4% e mesmo assim a Conab prevê aumento de 7,1% a 10% na produção. “A produtividade foi muito baixa em 2004 e, se o clima ajudar, teremos melhor rendimento este ano”, disse.
Ele disse que as previsões meteorológicas indicam clima normal para os próximos quatro meses. A queda na área plantada é, segundo Guedes Pinto, resultado da queda dos preços internacionais e do câmbio desfavorável às exportações.
A previsão da Conab é que as exportações de algodão, milho e do complexo soja rendam na safra 2005/06 US$ 9,742 bilhões, com embarques de 41,160 milhões de toneladas. Esse balanço indica que as exportações desses produtos representarão 15,98% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária. Para 2005 o PIB da agropecuária é estimado em US$ 60,974 bilhões. As importações agrícolas devem custar no ano safra US$ 931,029 milhões, com desembarque de 5,643 milhões de toneladas, sendo que algodão e trigo são os principais produtos comprados de outros mercados.


