Produtores começam a definir área para a nova safra
Estiagem no Rio Grande do Sul torna a área de arroz do Brasil uma grande incógnita. Santa Catarina deve aumentar a área, segundo dados da Epagri. No Mato Grosso, definição da área ainda depende muito do preço da soja e da própria remuneração do arroz.
A estiagem que mantém as barragens e mananciais da Fronteira-Oeste, da Campanha e da Zona Sul do Rio Grande do Sul muito abaixo de sua capacidade é a principal responsável pela indefinição sobre a área que o Brasil deverá plantar na próxima safra. Responsável por quase 50% da produção nacional de arroz, a lavoura gaúcha vem de uma estiagem no verão passado que se manteve durante o inverno, o que é raro.
Apenas as represas da Depressão Central, das planícies costeiras interna e externa à Lagoa dos Patos e do Litoral Norte estão se recuperando em condições de repetir a área da safra passada.
É grande a expectativa dos arrozeiros para a segunda quinzena de setembro, quando tradicionalmente ocorre no Rio Grande do Sul uma grande concentração de chuvas chamada pelos gaúchos de Enchente de São Miguel. Extra-oficialmente, lideranças do setor acreditam que a área irá se manter, pois muitos produtores irão plantar torcendo para o retorno das chuvas a partir de outubro.
Mesmo assim, a Emater-RS tem registrado redução no movimento de preparo das lavouras nas regiões mais atingidas pela estiagem. Na semana passada, choveu em média 3 milímetros na Fronteira. Durante a Expointer, é intenso o movimento de arrozeiros em busca de informações nos estandes dos institutos meteorológicos.
DEMAIS ESTADOS
No Mato Grosso, a dimensão da área plantada está ainda bastante atrelada à valorização da soja e aos próprios preços do arroz, segundo informou o presidente da Associação dos Produtores de Arroz do Mato Grosso, Ângelo Maronezzi, em recente evento em Porto Alegre.
Maronezzi explicou que a baixa média dos preços da soja este ano, somados à necessidade de altos investimentos nesta cultura, poderá carrear um número maior de produtores do Centro-Oeste para a lavoura orizícola.
Segundo ele, apesar de uma depressão nos preços do arroz nos últimos meses, a rentabilidade da cultura no Mato Grosso ainda é maior do que o da soja, pois exige baixos investimentos e responde bem ao mínimo de tecnologias. A baixa nos preços do boi também tende a forçar muitos pecuaristas a investirem no arroz para a recuperação de pastagens degradadas.
Para Maronezzi, que chegou a prever uma redução de até 40% da área plantada com arroz no Mato Grosso há dois meses, o estado deverá plantar novamente 585 mil hectares, se não houver grandes mudanças de cenário até outubro.
O Mato Grosso do Sul, o pólo de Paracatu em Minas Gerais e Santa Catarina devem aumentar a área plantada com arroz. O presidente do Sindicato da Indústria do Arroz de Minas Gerais, Jorge Tadeu Meirelles, afirma que a alta qualidade e competitividade do arroz irrigado da região de Paracatu é um grande incentivo para o aumento de área em Minas.
Segundo Meirelles, o fácil acesso do produto aos centros consumidores, como Uberlândia, Belo Horizonte e Goiânia (GO), garantem uma boa remuneração pelo produto e alta competitividade com o produto do Centro-Oeste e mesmo do Sul.
O pesquisador da Epagri de Santa Catarina, Richard Bacha, também afirmou que o estado deverá aumentar, mesmo que timidamente, a área de arroz. Explicou, todavia, que a ênfase dos produtores catarinenses é um aumento vertical da produção, por meio da expressão de alta produtividade nas lavouras.


