Produtores de Sinop continuam protestando contra medidas do governo

Produtores de arroz ficam à margem da rodovia à espera de soluções, em Sinop (MT).

Há uma semana cerca de 800 produtores rurais de Sinop e região estão acampados, com quase 100 colheitadeiras, tratores e caminhões na Praça das Bandeiras, ao lado da agência do Banco do Brasil, em protesto a crise que o setor agropecuário vem atravessando e sem data prevista para sair.

– Nós não temos pressa. Enquanto o governo não tomar uma providência não vamos sair daqui – disse um dos organizadores do movimento, Antonio Galvan.

Segundo ele, o movimento deve ser feito também até Brasília e dependendo de como as negociações com o Governo prosseguirem os manifestantes de Sinop vão tentar fechar a agência do Banco do Brasil do município.

Os produtores querem confirmar se procede a informação que o banco diminuiu empréstimos para o custeio.

– Não é difícil da gente fechar o banco não. Ao invés da situação melhorar para gente está só piorando – reforçou Antonio.

Além do empréstimo para o custeio da produção, os produtores cobram da Conab a reclassificação do arroz Cirad de longo fino para longo e um prazo maior para o pagamento das dívidas já existentes.

– Todo mundo pensa que o banco empresta o dinheiro para depois a gente pagar, mas não é assim. Ele põe o valor na nossa conta mas esse dinheiro nem sai de lá porque já tem que pagar a dívida passada. Fica tudo na mesma – esclareceu.

Por dia estão sendo servidos em média 850 almoços, com alimentos doados pelos próprios produtores, empresários e comunidade em geral.

– Tem gente pensando que estamos aqui fazendo festa, mas isso não é verdade. Até parte do serviço social do município nós estamos fazendo, porque alimentamos quase 100 mendigos todo dia – esclareceu.

Além dos produtores de Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Vera, Claudia, União do Sul e Santa Carmem, de hoje até amanhã uma caravana com mais maquinários e quase 50 pessoas deve chegar de Feliz Natal.

Quem passa pelo local pode verificar o grande número de faixas expostas com dizeres como ‘Agricultores sem lucro, país em luto’, ‘Acorda Lula, desperta Brasil’, ‘A maior praga da lavoura: Lula’, ‘Brasil não pode ser país de agiota, produtor merece respeito’, ‘Palocci, sua política é um desastre’, ‘Lula, tira o traseiro do avião e vem para a BR 163’, ‘Pelo fim das importações irresponsáveis do arroz’, entre outras.

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