Produtores deflagram o “Tratoraço”
Mobilização é total nos principais estados produtores de arroz, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso.
Cerca de 15 mil produtores de todo o País deflagram no próximo dia 27, em Brasília, o Tratoraço, movimento que tem por objetivo mostrar as causas da crise na agricultura e pressionar o governo a encontrar soluções para quatro pontos que a classe alinha como prioritários: a criação de novas linhas de crédito para resolver o problema de liquidez com as indústrias, mediante a utilização de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), parcelamento do endividamento com as indústrias de agroquímicos, prorrogação do vencimento, para setembro e outubro, das dívidas vincendas do custeio agrícola nos meses de junho e julho e, a liberação de importação de agroquímicos.
Esses quatro pontos são essenciais para tirarmos o setor da crise e fazermos um novo planejamento de safra para este ano. Sem resolvermos estes problemas, a agricultura poderá mergulhar em um caos, com relevantes prejuízos para o País, adverte o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Homero Pereira.
Ele próprio é o coordenador geral do movimento em nível nacional e organiza e articula a mobilização dos 13 estados que confirmaram a participação. No Estado, Homero também cuida pessoalmente da concentração, juntamente com os sindicatos rurais.
Segundo ele, o Tratoraço que começa no dia 27 e se estende até o dia 29, na Explanada dos Ministérios terá ainda a presença de mil tratores e cerca de 500 caminhões que fazem o transporte de grãos. De Mato Grosso, devem participar 1,4 mil, que levarão para Brasília 400 tratores e 200 caminhões. Os produtores estimam que este será um dos maiores movimentos da categoria nos últimos anos.
No dia 29, está marcada uma audiência dos produtores com o presidente Luís Inácio Lula da Silva e os ministros da área econômica do Governo, quando será apresentada a pauta de reivindicações da classe.
– Com o Tratoraço, esperamos mostrar para o País a verdadeira situação da agricultura, bem como cobrar uma solução das autoridades. Queremos também sensibilizar a classe política e envolver todos os segmentos da sociedade neste movimento. Sabemos que existe uma solução e que esta solução passa pela vontade política dos nossos governantes – diz Homero Pereira.
O presidente da Famato informou que, entre as causas da crise no setor agrícola, estão a dívida de R$ 3 bilhões com o setor privado (indústrias e fornecedores de insumos e agroquímicos) e a defasagem cambial.
– A desvalorização do dólar em relação ao real foi um tiro no pé para produtores e exportadores – observa Homero.
Ele aponta, ainda, o alto custo da produção agrícola, face à alta nos preços dos insumos, a precariedade de infra-estrutura de transporte (que, segundo ele, também encolheu a margem de lucro dos produtores) e o fator climático, como a estiagem nas lavouras em algumas regiões e o excesso de chuvas em outras.


