Produtores se voltam à exportação de arroz
A exportação de arroz como estratégia para enxugar a oferta no mercado interno e estabilizar os preços foi defendida na tarde de ontem pelo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Valter Pötter.
A exportação de arroz como estratégia para enxugar a oferta no mercado interno e estabilizar os preços foi defendida na tarde de ontem pelo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Valter Pötter. O produtor de Dom Pedrito, que assumiu a entidade no mês de junho, falou a mais de 90 produtores durante evento realizado pela Bolsa de Mercadorias da Metade Sul (BMS).
A expectativa é de que no prazo de um mês possa ser feito o primeiro embarque pelo porto de Rio Grande. A quantidade mínima para fechar uma carga fica entre 12 mil a 25 mil toneladas (250 a 500 mil sacos). Há ainda a possibilidade de se compartilhar a carga com empresas que exportam outros produtos como a quirela e quebrados de arroz.
“Temos exemplos concretos com o trigo e milho, que mesmo com produção deficitária, obtêm estabilidade de preço com a exportação.” Entre os principais mercados visados pelos produtores estão a Costa Rica, Peru, Irã, México, Haiti e Bolívia. “Dependendo do momento e quando estivermos em condições de fazer negócio, vamos realizar o primeiro embarque, pois se busca proposta a preços remuneradores.”
Pötter explica que a federação realiza esforço para levantar o volume de oferta necessário a este primeiro embarque. A cotação do arroz no mercado interno está entre R$ 30,00 e R$ 32,00, dependendo da qualidade, enquanto que no mercado externo fica entre nove e dez dólares (R$ 27,52 a R$ 30,58), preços considerados ainda suportáveis para a lavoura. No estado, 35% da produção da última safra foi comercializada, enquanto que no Brasil central este volume chega a 50%.
MERCADO
As correções realizadas recentemente pela Conab e IBGE quanto aos estoques de passagem e volumes de produção, no levantamento da safra, levou a uma readequação do mercado, que se estabilizou. “Os números levantados indicavam um estoque de passagem superior a um milhão de toneladas, enquanto que na realidade chegava a 300 mil toneladas, no máximo.”
O estoque futuro de passagem deve ficar 1,050 milhão. Com as importações do Mercosul e a exportação, ele aposta na estabilidade do mercado e oferta ajustada à demanda.
PIS/COFINS
Pötter acredita que a isenção do PIS/cofins obtida pelo arroz esta semana, prevista na MP 183 não deve se refletir sobre o preço final do produto. “Existia o risco de prejuízo em torno de 7% aos produtores caso a tributação fosse mantida.”


