Produtores temem perda parcial de lavoura
Produtores rurais vivem o drama da possibilidade de perda de culturas permanentes e cultivos temporários.
Produtores de banana, arroz e capim, em propriedades próximas ao Rio Jaguaribe, nos municípios de Cariús, Jucás e Iguatu, temem perda parcial da lavoura em face da dificuldade de irrigação. O leito do rio está seco, o lençol freático baixou consideravelmente nas últimas três semanas, deixando os cacimbões com baixo nível.
A gerência regional da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) informou que já houve a liberação de água do Açude Muquém, que fica localizado no município de Cariús e vai reabastecer poços e salvar o plantio na região reclamada pelos produtores.
Os agricultores aguardam a chegada da água para breve. Nos três anos, a escassez de recursos hídricos para irrigação vem causando dificuldades de produção das culturas irrigadas de banana e arroz. Período invernoso curto, de baixa precipitação e crescimento da área de produção e do número de produtores contribuem para a redução do lençol freático.
Desde 2005 que os produtores rurais de diversas localidades rurais próximas às margens do Rio Jaguaribe vivem o drama da possibilidade de perda de culturas permanentes, como a bananeira, de cultivos temporários, irrigados, como arroz, capim e abóbora.
– O poço está secando, trazendo dificuldades para irrigar as áreas de banana – disse o produtor José Alves de Macedo (Zé da Barra), que tem o cultivo de uma área de oito hectares (ha).
– A situação é crítica de uma forma geral.
O produtor Neto Bastos, cultivou uma área de 10 hectares de arroz, na lagoa do Barro Alto. A irrigação é feita a partir de um poço localizado no Rio Jaguaribe, distante 2km.
– O inverno este ano foi fraco e plantei menos do que no ano passado – disse.
– Mesmo assim estou com medo de perder tudo – acrescentou.
O cultivo de arroz foi feito há 60 dias e necessita bastante de água para o crescimento da lavoura. Nessa área foram cultivados neste verão cerca de 50ha de arroz, que necessitam de irrigação urgente.
O agricultor José de Souza Filho também enfrenta dificuldades para irrigar 2ha de banana.
– Foi o jeito diminuir o tempo de irrigação porque o poço seca rápido – contou. A crise de escassez de água atinge comunidades nos municípios de Cariús, Jucás e Iguatu.
O vereador e líder comunitário, Nelho Bezerra, estima que 500 produtores nas localidades de Barro Alto, Serrote, Quixoá e Cardoso enfrentam dificuldades de irrigar as culturas em face da redução considerável do lençol freático.
Nos últimos 10 anos, as áreas de produção próximas ao Rio Jaguaribe, entre as localidades de Cardoso, em Iguatu, e Cana Brava, em Cariús, aumentaram cerca de três vezes.
De acordo com os produtores da localidade de Barro Alto, a solução definitiva para a irrigação das culturas de banana, arroz, feijão e capim é a construção da adutora do Açude Trussu, localizado em Iguatu.
Essa obra é esperada há quase uma década e vai garantir a perenização e a interligação de cinco lagoas do município. A barragem tem capacidade de acumular 300 milhões de metros cúbicos.
Mais informações: Escritório regional da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh) em Iguatu. Rua Wilton Correia, 563, Prado. (88) 3581.2571
GESTÃO HÍDRICA – Cogerh libera água do Açude Arneiroz II
Arneiroz. Pela primeira vez, em caráter experimental, águas do Açude Arneiroz II, localizado no município de mesmo nome, na região dos Inhamuns, foram liberadas para a perenização do Rio Jaguaribe até a cidade de Jucás, na região Centro-Sul.
– É uma operação de teste – explicou a gerente regional da Sub-Bacia do Alto Jaguaribe, Vandiza Sucupira.
Atualmente é liberado um volume de 700 litros por segundo (l/s).
Na última sexta-feira, houve reunião, na cidade de Parambu, do Comitê da Sub-Bacia do Alto Jaguaribe para avaliar as operações de liberação de água e definir os níveis de continuidade de descarga.
Com relação ao Açude Muquém, Vandiza Sucupira explicou que desde o último dia 17, houve um aumento em caráter emergencial da descarga do reservatório, de 400 l/s para 700 l/s para atender a necessidade dos produtores rurais de várias localidades nas margens do Rio Jaguaribe, municípios de Jucás, Cariús e Iguatu, que enfrentam redução do volume de água nos poços.
Na quinta-feira passada, o trecho foi visitado por técnicos da gerência regional da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh).
Os produtores estavam prevendo para o último fim de semana a regularização do abastecimento até a localidade de Barro Alto.
Renovação de comissão
Hoje, está previsto de acontecer, nas proximidades do Açude Muquém, reunião para renovação da comissão local gestora da barragem, que deverá contar com a participação dos múltiplos usuários das águas do referido reservatório. A pauta tem como um dos objetivos avaliar o volume de liberação dos recursos.
O Açude Arneiroz II está com um volume de 66 milhões de metros cúbicos, que correspondem a 33,6% da capacidade total do reservatório.
A barragem do Muquém acumula atualmente 29 milhões de metros cúbicos, que representam 62,7% de sua capacidade total.


