Prorrogação do custeio exclui o RS
Anúncio revolta arrozeiros gaúchos, e Farsul cobra prazo para pagamento de dívidas hoje no Mapa.
O Rio Grande do Sul ficou de fora da prorrogação dos custeios da safra 2004/2005, anunciada ontem pelo governo federal. A medida vale só para produtores do Centro-Oeste e da Bahia, o que causou indignação entre as lideranças gaúchas. As parcelas de junho, julho e agosto, no total de R$ 1,8 bilhão, serão adiadas para março e abril do próximo ano. A medida, que depende de aprovação do Conselho Monetário Nacional, vale para arroz, soja, algodão, milho, trigo e sorgo.
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, irá cobrar hoje do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, a inclusão do Estado.
– Isso até parece uma brincadeira – reclamou Sperotto, que estará em Brasília.
O ministro Rodrigues explicou que os estados do Sul já foram beneficiados anteriormente com medidas, como o alongamento de débitos de custeio e investimento de 2005 dos proprietários de áreas atingidas pela estiagem.
Os gaúchos conseguiram apenas que Rodrigues enviasse ao Banco do Brasil (BB) solicitação para que o custeio de julho dos arrozeiros seja alongado em até 90 dias, com base no Manual de Crédito Rural. A lei garante dilatação em caso de comprovação da incapacidade de pagamento em função da insuficiência de renda. Mas é muito pouco para os orizicultores. Eles exigem o adiamento dos R$ 226 milhões de julho e agosto para janeiro de 2006. A Federarroz reagiu.
– É inadmissível que o governo use dois pesos e duas medidas, apoiando o Centro-Oeste. Causa-nos estranheza que não tenham sido adotados os mesmos critérios -, disse o diretor de Mercados da Federarroz, Marco Aurélio Tavares. Para que o BB faça isso, será preciso que o Tesouro cubra a equalização dos juros, calculada em cerca de R$ 40 milhões pelo governo.
– É nosso direito e iremos exercer – acrescentou.
O ministro lembra que prosseguem as ações de apoio à comercialização de arroz no RS e em SC com a realização do segundo leilão de contratos de opção, objetivando reduzir os efeitos da crise gerada por fatores como valorização do câmbio, elevação dos custos de produção, quebra de safra e recuo dos preços. Para Tavares, as justificativas não servem. O dirigente enumerou diversas medidas anteriores de apoio à venda do arroz do Centro-Oeste.


