Protesto do arroz alcança Itajaí/SC

Produtores interditam a BR-101 no Vale do Itajaí durante cinco minutos.

– É de graça, pode pegar. Não vale nada – gritava o agricultor Valmor Merenciano, de 56 anos, enquanto jogava grãos de arroz para o alto sobre o asfalto quente da BR-101. Ele protestava ao lado de dezenas de produtores de arroz do Litoral e Médio Vale, que na tarde de ontem fecharam por cinco minutos uma das pistas da rodovia, no entroncamento com a BR-470.

A queda de quase 50% no valor da saca de arroz, provocada pela entrada do produto do Uruguai e da Argentina, encabeça a lista de descontentamentos dos produtores.

Durante o manifesto, os produtores distribuíam sacos de 1 quilo do cereal para motoristas e caminhoneiros que aguardavam a abertura da pista. A Polícia Rodoviária Federal deu apoio ao trânsito durante o protesto.

A pista ficou totalmente interditada por cinco minutos. Em seguida, o trânsito voltou a fluir lento, enquanto os agricultores distribuíam o produto. O agricultor João Gonçalves, 46, que planta arroz em 230 hectares de terra em Ilhota, Navegantes e Itajaí, conta que o preço da saca caiu de R$ 35 para R$ 18 este ano.

Setor é contra a importação

– O preço de custo de cada saca é R$ 28. Estamos tendo um prejuízo enorme – disse. A concorrência desleal com o arroz argentino, uruguaio e até tailandês faz com que o preço caia.

– Somos auto-suficientes em arroz. Não há motivos para importação – explicou o presidente da Associação de Rizicultores de Ilhota, Navegantes e Itajaí, Lucilei Theiss.

Balanço

Nas principais praças catarinenses, os preços do arroz em casca caíram e ficaram R$ 22,00 no Vale do Itajaí e R$ 20,00 no Sul do Estado

Os produtores brasileiros são obrigados a praticar preços abaixo dos custos devido à concorrência e ao excesso de produto em estoque

No ano passado, foram importadas 1,2 milhão de toneladas do Mercosul e 380 mil toneladas dos Estados Unidos e Tailândia. Em 2005, entre janeiro e abril, as compras dos países vizinhos superaram 100 mil toneladas

O Brasil produz hoje 13 milhões de toneladas de arroz por ano, enquanto o país consome apenas 12,5 milhões de toneladas

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