Qualidade impõe preço no arroz em casca

Aumenta a procura por variedades nobres de arroz em casca no Rio Grande do Sul. Beneficiado de 60 quilos estabiliza e o fardo não aceita alteração de preços. No Mato Grosso, mercado com leve aquecimento.

O mercado do arroz em casca acima de 60% de inteiros e das variedades BRS IRGA 409 e Irga 417 aqueceu significativamente no Rio Grande do Sul na semana que está terminando pela entrada de inúmeras empresas compradoras de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro e Paraná no Litoral Norte. Em 10 dias, os preços evoluíram de R$ 17,00 para R$ 20,00 pelo saco de arroz de 50 quilos com 63% de inteiros destas variedades. A procura acelerou bastante no Litoral Norte, com reflexo na Fronteira-Oeste gaúcha, onde já são praticados preços entre R$ 17,50 a R$ 19,50 por variedades nobres e maior percentual de inteiros. Até mesmo indústrias do Mato Grosso entraram comprando no Rio Grande do Sul esta semana.

O mercado gaúcho de arroz em casca repete mesmo fenômeno ocorrido em 2004, com uma valorização das variedades nobres a partir de outubro. Agentes de mercado consideram que, apesar de um grande estoque de passagem no Brasil, a disponibilidade de arroz de melhor qualidade é relativamente pequena, o que gera uma demanda maior pelo produto. Há também informações correntes no mercado de que muitas empresas do Sudeste estão operando com estoque praticamente zerado, o que forçaria a busca por produto de nível superior.

Há uma leitura de que o Mato Grosso e os principais estados do Centro-Oeste estão com mais de 90% de seus estoques formados por arroz de baixo padrão, Cirad, manchados e picados de insetos e baixo percentual de inteiros. Cerca de 500 mil toneladas estão nas mãos do Governo Federal e no Rio Grande do Sul mais de 60% dos estoques são formados por arroz abaixo de 53% de grãos inteiros. Os produtores do Litoral Norte e da Fronteira, no entanto, vendem o produto de qualidade superior em lotes pequenos ou rejeitam as ofertas para forçar uma alta ainda maior.

A disputa por arroz de melhor qualidade é tão acirrada que mesmo algumas empresas tradicionais da Fronteira-Oeste gaúcha abriram postos de compra no Litoral Norte gaúcho. Empresas que separaram lotes de arroz em casca por variedade, começam a liberar pequenos lotes para comercialização na faixa de R$ 19,50 o saco. Na última quinta-feira, no entanto, começaram a surgir ofertas a valores na faixa de R$ 18,00 a R$ 18,50 nas fronteiras com o Uruguai e a Argentina. Não se descarta a possibilidade de tratar-se de produto do Mercosul.

Na quarta-feira circularam informações não confirmadas de que uma indústria não estaria cumprindo com compromissos de pagamento aos produtores, o que gerou certa intranqüilidade e um recuo dos produtores gaúchos.

Em Santa Catarina o clima segue interferindo no plantio, gerando atraso. O fato de restar pequeno estoque de produto no estado está mantendo preços entre R$ 16,00 e R$ 18,00, sem pressão de oferta.

No Mato Grosso, a semana mostrou ligeiro aquecimento no mercado de arroz em casca, principalmente Cirad fraco para parboilização. Tanto os produtores mostraram interesse em vender um pouco mais quanto a indústria mostrou-se receptiva, mesmo com preços muito baixos. Arroz Cirad com 40% de inteiros, manchado, chega em Cuiabá ao preço de R$ 9,00 o saco de 60 quilos. Produto com 50% de inteiros é vendido a R$ 12,00 posto em Cuiabá. A boa notícia da semana para o mercado mato-grossense foi a confirmação de negócios de arroz Primavera com 56% de grãos inteiros a R$ 20,00.

O corretor Jorge Fagundes, da Futura Cereais, considera que a confirmação de que ainda existem estoques, mesmo que pequenos, de Primavera de boa qualidade no Mato Grosso poderá gerar novos negócios nestes patamares. Outra informação corrente no Mato Grosso é de que a redução de área, que chegou a ser estimada em 50% por entidades de produtores e 30% por analistas de mercado, poderá ser bem menor. Apesar de descartarem a variedade Cirad, muitos produtores estão repetindo área de arroz.

BENEFICIADO

O arroz beneficiado de 60 quilos confirmou a tendência de estabilidade esta semana no Rio Grande do Sul, depois de ligeiro aquecimento nos últimos 15 dias. É comercializado a R$ 35,00 FOB na maior parte das praças. Nesta sexta-feira surgiram informações de negócios na faixa de R$ 34,00 em Uruguaiana para pagamento à vista. Em São Paulo este produto chega na faixa de R$ 45,00 a R$ 47,00. O Primavera, do Mato Grosso fica entre R$ 41,00 e R$ 44,00 e o Cirad R$ 31,00 a R$ 34,00.

O fardo de 30 quilos ainda não sentiu reflexo da pequena alta do saco de 60 quilos de arroz beneficiado. Continua apresentando uma variação de preços entre R$ 23,00 e R$ 28,00, com média de R$ 26,00 a R$ 27,00 para o arroz gaúcho do Tipo 1. Variedades nobres e algumas marcas especiais chegam a São Paulo por até R$ 37,00 o fardo.

Os derivados mantiveram os preços de R$ 24,00 para o canjicão(60kg) e R$ 20,00 para a quirera (60kg).

VAREJO

No varejo do centro do País está sendo sentido o fim das ofertas prolongadas de até uma semana com preços de arroz na faixa de R$ 3,49 a R$ 4,00 (5kg) nas gôndolas dos supermercados. Os preços, nas ofertas, voltaram a um patamar superior a R$ 4,50 em casos especiais (dois a três dias). Isso demonstra que os supermercados estão sinalizando a estabilidade nos preços e a saída de mercado de muitas marcas de pequeno alcance que operam apenas nos primeiros meses da safra com maior escala e preços competitivos.

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