Quase lá
Colheita cresceu, mas ainda fica abaixo das melhores safras
Com recuperação
parcial, a produção
gaúcha neste ano ficará abaixo da safra 2014/15
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Marcada por um clima considerado entre o “normal” e um fenômeno La Niña de fraca intensidade, a temporada de safra do arroz 2016/17 no Rio Grande do Sul vai recuperar parcialmente a sua produção diante das perdas registradas na temporada anterior. Na comparação dos ciclos, serão produzidas 1,1 milhão de toneladas a mais. A expectativa do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) é de que o estado produza aproximadamente 8,4 milhões de toneladas, 15% acima das 7,3 milhões colhidas em 2016. O volume ainda é 3,7% menor do que o atingido na temporada 2014/15: 8,72 milhões de toneladas, uma diferença de 320 mil toneladas.
Ocorre que mesmo mais favorável, o clima apresentou variações que impediram um avanço mais importante do rendimento por área. Os gaúchos, cuja colheita representa 72% da safra nacional de arroz, semearam 1,1 milhão de hectares e trabalham com a expectativa de rendimento médio de 7.643 quilos por hectare. Diferentemente da temporada passada, desta vez o plantio começou cedo, na primeira quinzena de setembro, em algumas regiões. Mas as plantas demoraram a emergir por causa das baixas temperaturas. Algumas regiões sofreram com a falta de umidade e outras com o excesso de chuvas. E faltou radiação solar por causa de muitos dias nublados, o que levou problemas a determinadas regiões arrozeiras.
Além de alongar o ciclo da cultura em duas a três semanas pela demora na emergência, o arroz começou a brotar da terra em “camadas”, ou seja, de maneira não uniforme. E isso atrasou a entrada da água de irrigação, que também controla os inços. Sem a água para ajudar no momento certo e com o frio noturno atrapalhando, os herbicidas não conseguiram agir com eficiência, o que resultou em lavouras mais “sujas”, ou seja, com maior presença de ervas daninhas, nas regiões da Fronteira-Oeste, da Campanha e da Depressão Central.
Lavouras semeadas mais tarde, a partir da primeira quinzena de novembro, têm mostrado melhor aspecto em termos de inçamento. “Temos um quadro de ótimas lavouras na Zona Sul, que devem alcançar as melhores médias este ano, mas na Fronteira-Oeste, onde se concentra a expectativa de grande produção do Rio Grande do Sul, tivemos problemas que podem não confirmar a produtividade esperada”, explica Henrique Osório Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e produtor em Alegrete.
A Depressão Central foi a última região a finalizar o plantio por causa do clima, com parte da área fora da época indicada, e chegou a registrar duas grandes enchentes. Não houve grandes extensões de lavouras alagadas nem as enxurradas de 2015/16, mas foram registradas perdas de insumos e atraso nas operações, o que também repercutirá na produtividade. As chuvas tiveram maior impacto sobre as lavouras de soja em várzea, com algumas áreas em que as plantas ficaram cobertas entre três e seis dias.
Atraso na entrada de água e o frio permitiram avanço das ervas daninhas
FIQUE DE OLHO
A próxima temporada (safra 2017/18) preocupa. Há uma previsão de fortalecimento do fenômeno climático La Niña, que indica um inverno mais seco e uma primavera de pouca recuperação hídrica. Isso quer dizer que os mananciais para a irrigação poderão estar mais baixos e exigir um dimensionamento menor das áreas.
QUESTÃO BÁSICA
“O arroz tem grande capacidade de recuperação, por isso, apesar de uma arrancada mais difícil no início do plantio ainda alcançaremos um volume de colheita superior a todos os países das Américas”, explica o diretor técnico do Irga Maurício Fischer. Segundo ele, apesar das dificuldades de acesso ao crédito, os rizicultores gaúchos vêm avançando no uso de tecnologias que garantem maior estabilidade produtiva nas lavouras. “Algumas práticas não exigem desembolso, mas conhecimento: fazer a operação certa na hora certa”, resume.

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