Quebra da safra do RN chega a 33%

A agricultura do Rio Grande do Norte deve fechar o ano quase sem
motivos para comemorar.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgado ontem, trouxe números inférteis para a maioria dos produtos cultivados, que devem encerrar 2007 com a área
plantada e a produção encolhidas em relação a 2006. Milhares de
trabalhadores foram prejudicados.

– A grande culpada foi a estiagem -, diz o agrônomo, responsável pela coleta e compilação dos dados,Tarcisio Soares.

O levantamento mostra que área plantada e colhida com cereais,
leguminosas e oleaginosas, na casa dos 120.222 hectares, foi 32,77% menor que a de 2006, quando chegou a 178.817 hectares. Também houve perda de 38,39% na produção, que este ano atingiu 72.673 toneladas, contra as 117.957 do ano anterior.

No que diz respeito às áreas colhidas, as culturas pesquisadas apresentaram decréscimo de 58.182 ha (13,13%), comparadas a 2006 (443.053 ha). O resultado negativo foi puxado principalmente pela mamona, cuja queda foi de -82,72%. Em
seguida vieram algodão (-62,64%), tomate (-38,74%), sorgo granífero (-38,00%), milho (-34,81%), sisal (-33,26%) e feijão (-24,43%).

Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Norte, Manoel Cândido da Costa, as quebras repercutiram diretamente no setor.

– Gerararam com certeza desocupação no campo. O pessoal fica ocioso, sem ter onde trabalhar -, frisou ele, estimando que mais de 70 mil pequenas propriedade agrícolas e de 300 mil pessoas
tenham sido atingidas direta e indiretamente pela estiagem.

Menos dependentes das chuvas, cana-de-açúcar, mandioca e arroz estão entre os únicos produtos com desempenho positivo no ano, diz Tarcísio Soares, do IBGE. Ele explica que, por ser irrigado, o arroz não sofre influência da seca.

– A mandioca, por sua vez, além de resistente à seca, registrou aumento no consumo humano e para ração animal -,
acrescenta.

Para a cana, pelo menos dois fatores foram decisivos para o
crescimento: o mercado sucroalcoleiro aquecido e o ganho de áreas onde antes eram plantados coqueiros.

– Alguns produtores de coco arrendaram suas terras para o cultivo da cana -, explica ainda o agrônomo.

O dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) foram coletados em novembro deste ano, trazendo um retrato da safra, já que pouca variação nos índices é esperada até o final das safras. Para 2008, as previsões devem ser feitas em janeiro ou fevereiro.

– É que não começou a chover ainda. Não sabemos se o inverno será bom ou ruim -, diz ele.

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