Queda na produção de arroz deve ser maior em Mato Grosso

Consultor Carlos Cogo espera recuperação nos preços do arroz somente no segundo semestre de 2006 se confirmar-se uma safra menor para o próximo ano.

Na semana que vem, nos dias 23 e 24, o setor orizícola será destaque em Sinop, com a realização do “11º Edição do Seminário da Cultura do Arroz e Dia de Campo”, promovido pela Apa (Associação dos Produtores de Arroz do Mato Grosso) e Grupo Pró-Cultura do Arroz. O evento vai trazer para o município, nove dos mais renomados conferencistas do setor e abordará as diferentes técnicas de manejo; nutrição da cultura do arroz em manejo de rotação, recomendação de produtos por base genética focado para a cultura do arroz, as técnicas de plantio de arroz em áreas velhas e suas vantagens, apresentação de nova geração de arroz, manejos de pragas de solos, entre outros assuntos de interesse da cadeia produtiva.

O consultor de mercado Carlos Cogo, estará apresentando uma vídeo conferencia com o tema “Tendência do mercado de arroz”. Ele explicou que a produção brasileira de arroz deve recuar, em média, 15% no Brasil na safra 2005/2006, segundo a primeira estimativa de sua empresa.

– Caso essa redução seja confirmada, a produção deve cair do recorde de 13,227 milhões de toneladas na safra 2004/2005 para 11,243 milhões de toneladas na safra 2005/2006. Com essa redução, os estoques finais devem sofrer forte recuo na safra vindoura. Os estoques iniciais da safra atual estão projetados em 1,507 milhão de toneladas. Com a produção de 13,227 milhões de toneladas e a demanda de 12,900 milhões de toneladas, exportações projetadas em 200 mil toneladas e importações reavaliadas em 750 mil toneladas (base casca), os estoques finais da safra 2004/2005 devem subir para 2,384 milhões de toneladas – argumenta.

Cogo alerta que com esse estoque inicial em 2005/2006 e uma produção de 11,243 milhões de toneladas, projetada para a safra 2005/2006, considerando um consumo de 13,222 milhões de toneladas, exportações de 200 mil toneladas (base casca) e importações reduzidas para 700 mil toneladas (base casca), os estoques de passagem (estoques finais) da safra 2005/2006 devem recuar para 905 mil toneladas.

– Esses estoques de passagem projetados para o final da safra 2005/2006 equivalem a apenas 25 dias de consumo, frente aos estoques equivalente a 67 dias de consumo no final da safra 2004/2005 – afirma.

O consultor diz que a redução de área deve ser mais intensa no Mato Grosso, mas também deve ser registrada queda nos Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Pará e Maranhão.

– Em Santa Catarina, não deve ocorrer redução de área e no Rio Grande do Sul a queda está estimada preliminarmente em 5%, em decorrência da escassez de recursos para a condução da safra, já que as reservas hídricas estão em recuperação. Com a redução de área que deve marcar a próxima safra 2005/2006, os preços devem iniciar um processo de recuperação, com ênfase no segundo semestre de 2006 – salienta.

A indústria de defensivos, que normalmente financia com prazo-safra a venda de seus produtos enfrentou elevação significativa de atrasos e até de não-pagamentos dos financiamentos realizados em 2005.

– Ao não pagar suas dívidas junto ao canal distribuidor (revendas), os produtores colocam esses agentes também em dificuldades financeiras junto às indústrias fornecedoras, que por sua vez reduzem o crédito das revendas, até que todas as contas sejam quitadas. O resultado prático é uma redução do crédito para vendas a prazo na próxima safra. Estima-se uma redução média em torno de 30%, nessas linhas. Por último, deve-se registrar que os bancos privados e o próprio Banco do Brasil se viram obrigados a reduzir a oferta de crédito, afetados pelo aumento da inadimplência e pela sinalização de margens apertadas para 2006 – alerta Cogo.

Segundo ele, a própria prorrogação das dívidas impactou o volume de crédito disponível para o próximo ciclo. O esforço do Ministério da Agricultura, para atenuar essa crise, através da criação de linhas de crédito via recursos do FAT/BNDES, não está surtindo o efeito desejado.

– Talvez pela demora em regulamentar o formato operacional e a liberação desses recursos, talvez pela baixa atratividade que o mecanismo proposto ofereceu às empresas fornecedoras de insumos. O fato é que a tendência de queda na disponibilidade de crédito não foi revertida – conclui.

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