R$ 1,74 bilhão é a perda projetada da cadeia orizícola

Irga projeta perda de até R$ 1,74 bilhão na cadeia orizícola e cobra medidas do governo federal
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O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Pery Sperotto Coelho, divulgou, nesta sexta-feira (13), que o valor bruto de produção de arroz no Rio Grande do Sul em 2005 pode ter redução de 41% em comparação ao ano anterior, o que significaria um prejuízo de R$ 1,74 bilhão à cadeia produtiva orizícola até dezembro.

A estimativa, apresentada em entrevista coletiva na sede da autarquia, em Porto Alegre, resulta da soma de dois fatores: a redução de 8,08% de produção do cereal em território gaúcho, com projeção de colheita de 5,75 milhões de toneladas, e diminuição de 32,92% dos valores pagos aos produtores em relação ao ano passado, com preço médio nominal estimado para 2005 em R$ 21,75 a saca de 50 quilos. A colheita da safra 2004-2005 deve ser encerrada no Rio Grande do Sul daqui a duas semanas.

Como solução para a crise no setor, responsável por 50% da produção nacional do grão, o dirigente sugere que o governo da União compre estoques do produto, através de Contrato de Opção Público, sendo 1 milhão de toneladas no Rio Grande do Sul e 500 mil no Mato Grosso. Outra medida importante é a revisão do acordo do Mercado Comum do Sul (Mercosul), visando a corrigir assimetrias entre os países membros, com adoção de medidas compensatórias buscando harmonizar o comércio do produto entre Brasil, Uruguai e Argentina.

– Há duas safras, o Brasil tem auto-suficiência em arroz e é necessária uma revisão do acordo; o Mercosul está sendo um fator desagregador do segmento arrozeiro no Rio Grande do Sul – ustifica Coelho.

O dirigente também criticou que a última intervenção do governo federal no mercado de arroz ocorreu na safra 1999-2000.

Conforme o presidente do Irga, os prejuízos são verificados em todas as regiões orizícolas do Estado, sendo a maior perda na Fronteira Oeste, com uma redução prevista de 46% do valor bruto de produção de arroz em comparação ao ano anterior.

Nesta região, os principais municípios que podem ter suas economias prejudicadas, de acordo com a projeção do instituto, são Uruguaiana, com perda estimada de R$ 113,29 milhões; Itaqui, com R$ 75 milhões; Alegrete com R$ 70 milhões e São Borja, com R$ 55 milhões. Em outras importantes localidades produtoras do cereal a projeção de rendimento da cadeia arrozeira também é negativa, com Cachoeira do Sul, na Depressão Central, devendo ter diminuição de R$ 47,42 milhões e Santa Vitória do Palmar, na Zona Sul do Estado, de R$ 88,41 milhões.

Segundo o Irga, a perda gerada pela queda de receita do arroz repercute em todos os setores da economia dos 138 municípios arrozeiros, a maior parte concentrados na Metade Sul. A diminuição de rentabilidade afetará a indústria de beneficiamento de arroz, além de reduzir significativamente os valores que realimentariam o fluxo comercial nessas localidades. Em Pelotas, município com desenvolvido parque industrial de beneficiamento orizícola, há indicativo de que o prejuízo será de R$ 12,15 milhões.

De acordo com o Irga, além dos preços do cereal estarem deprimidos, o custo de aquisição de insumos e de maquinário para a lavoura arrozeira disparou no último decênio. Entre fevereiro de 1995 e fevereiro de 2005, o combustível variou 535% e o adubo, 354,78%, enquanto os preços pagos aos orizicultores variaram apenas 151,96% no período.

Para Pery Coelho, a situação se agrava ainda mais com os preços atuais, pois os valores encontram-se abaixo do mínimo estipulado pelo governo federal, que apresentou o menor reajuste nos últimos 11 anos. Na avaliação do dirigente, a manutenção da renda ao produtor é fundamental para a sua permanência na atividade e para o acesso a pacotes tecnológicos como o programa de produtividade Arroz RS, desenvolvido pelo Irga, correndo-se o risco de geração de um novo processo de endividamento do setor e de aumento do desemprego na Metade Sul.

A economia orizícola gaúcha em 2004 representou um total de 232 mil pessoas empregadas direta e indiretamente, envolveu 282 indústrias de beneficiamento e gerou uma arrecadação de ICMS de aproximadamente R$ 220 milhões. Nesta semana, o governador Germano Rigotto e o secretário da Agricultura e Abastecimento, Odacir Klein, manifestaram apoio às reivindicações dos arrozeiros, que protestam em diversos pontos do Estado exigindo um posicionamento do governo da União para o setor.

O governador Rigotto aguarda confirmação de audiência para a próxima semana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e lideranças do setor primário para debater a adoção de medidas que reduzam os prejuízos da cadeia arrozeira.

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