Reivindicações de MT são entregues à União
Ministra Dilma Roussef recebeu pleito estadual e determinou avaliação imediata da situação.
O governador Blairo Maggi liderou ontem mais uma via-crúcis por Brasília para tentar sensibilizar a União com relação aos problemas que a crise no agronegócio desencadeou sobre a economia estadual desde a safra passada. Na teoria os primeiros frutos da audiência com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, surtiram efeito. Ainda ontem, de forma imediata, ela determinou a criação de um pequeno comitê interministerial para avaliar os efeitos da crise sobre o Estado.
A determinação veio durante uma audiência que reuniu políticos e liderança rurais. Na pauta estava a situação econômica mato-grossense. Perda na arrecadação, alta dos custos de produção, perdas com a ferrugem asiática e queda na geração de empregos foram os principais argumentos.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Rural do Estado, Cloves Vettorato, a comitiva foi bem recepcionada pela ministra e ela ficou bastante impressionada com os dados apresentados.
– Ela não decide questões como essa, mas está todos os dias junto do presidente Lula e nosso objetivo foi o de posicioná-la sobre o momento que o Estado atravessa. Mostramos que a nossa crise já atinge outros estados.
Durante a audiência, o governador deixou claro que em 2004 o Rio Grande do Sul — grande produtor agrícola e o principal fornecedor de máquinas e implementos agrícolas para Mato Grosso — teve um saldo positivo de 52 mil empregos e que em 2005 o saldo foi negativo em 17 mil vagas.
– Está evidente para o governo Federal que a crise do agronegócio não é só de Mato Grosso, é nacional – lembrou Vettorato.
A audiência foi positiva, segundo Vettorato.
– A ministra é muito objetiva.
Questionado sobre quanto tempo mais o Estado pode ficar esperando por ações da União, Vettorato disse que as ações devem vir o quanto antes. Estamos confiantes, pois com mais este encontro atingimos a marca de ter percorrido todos os ministérios. Dilma abraçou a nossa causa.
Para não causar constrangimentos, Vettorato destaca que nenhum dos presentes citou os problemas que o setor produtivo rural enfrenta com relação às taxas de juros e à defasagem cambial.
– Sabemos que são assuntos que podem acirrar ainda mais os ânimos entre a ministra Dilma e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Mas ao questionarmos a elevação de custos na agricultura, por exemplo, fica implícito, sem dúvida alguma, que a nossa rentabilidade é consumida pela elevação do real frente ao dólar.
FÓRUM RURAL
Entre as lideranças rurais estavam representantes do Fórum Rural MT, formado por onze entidades que representam o setor no Estado e que decidiram adotar um discurso unificado. A meta é articular ações estratégicas que possam garantir a recuperação da renda do produtor rural. Além do documento, entregue ontem pelo governador à ministra, o fórum já definiu a presença de uma força-tarefa que ficará de plantão na capital federal para encaminhar demandas dos produtores rurais junto às autoridades.
O documento elaborado pelo fórum propõe medidas de caráter emergencial e de curto prazo com o objetivo de amenizar a crise da agropecuária mato-grossense.


