Resultados da safra de arroz animam os produtores da região do Vale do Rio Pardo

Média no Vale do Rio Pardo está acima de 6,5 mil.

A safra de arroz que começou a ser colhida há cerca de um mês no Vale do Rio Pardo (RS) está agradando os agricultores. O resultado obtido por hectare passa da média estadual, que é de 6,5 mil quilos. No ano passado, por causa da seca, o retorno ficou abaixo do esperado e acabou comprometendo o setor.

A reversão do quadro, de acordo com especialistas, foi motivada pelo uso de variedades que possibilitam maior produtividade. Entretanto, está na oferta de água o segredo para o desempenho positivo. Com chuvas mais freqüentes no período de desenvolvimento, as lavouras tiveram sua produção garantida.

Em Santa Cruz do Sul, de acordo com o técnico agropecuário da Emater-RS, Ademir Santin, a irrigação não chegou a ser comprometida, embora em algumas áreas os reservatórios tenham ficado abaixo do nível. Regiões como Pinheiral, onde parte das lavouras foi perdida em 2005, esse ano não tiveram grandes problemas. É o caso do produtor Nelson Kist, 53 anos, que cultivou 35 hectares com o grão junto dos filhos Cristiano e Odair. Há 10 dias ele começou a colher e já comemora o rendimento que obteve. São cerca de 150 sacos de 60 quilos a cada hectare, reflexo do uso de uma variedade de ciclo longo e alta produtividade.

Entre os produtores de Rio Pardo, que têm 9 mil hectares ocupados com o cereal, também foi verificada situação semelhante. Na Cooperativa Agrícola do município, o rendimento médio fica em 6 mil quilos. Até agora 30% das lavouras já foram colhidas.

– Estamos verificando um retorno maior que o de 2005 – analisa o engenheiro agrônomo Vanderlei Zambarda.

A expectativa dele é de que até maio, quando devem ser concluídos os trabalhos, a média se mantenha.

– A lavoura se desenvolveu bem e os grãos possuem qualidade, afirma.

O avanço das colheitadeiras é rápido na região. Segundo Santin, em Santa Cruz, 50% dos grãos estão armazenados para secagem. Já em Candelária, Vale do Sol, Vera Cruz e Venâncio Aires, segundo o coordenador regional do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Luciano Siqueira, o índice é de 30%. Mesmo assim ele está satisfeito com os resultados.

– O desempenho dessa safra está dentro das médias graças à oferta de água – afirma.

PREÇO

Durante a semana dois manifestos de produtores rurais no Vale do Rio Pardo alertaram para a defasagem dos principais cereais cultivados na região. Na segunda, em Novo Cabrais, cerca de 2 mil pessoas protestaram contra a diferença entre os custos para produção e o valor de venda. Quarta-feira, em Candelária e Pantano Grande, a cena se repetiu. De acordo com líderes do setor, a saca é comercializada por R$ 16,00, enquanto exige um investimento de até R$ 32,00.

Essa diferença, segundo Kist, pode comprometer investimentos para a próxima plantação. Ele, que há mais de 20 anos sustenta a família com o rendimento da lavoura, teme que no ano que vem não consiga plantar a mesma área. Até mesmo os investimentos em maquinário e tecnologia ficam em risco.

– A gente colhe bastante, mas na hora de vender não é valorizado.

ESTADO

De acordo com o último levantamento de colheita apresentado pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) 37,84% das lavouras já foram colhidas. Na Fronteira Oeste a operação atingiu 57,53% e é a região mais adiantada e com melhor produtividade: 6,770 quilos por hectare. Nesta safra o Rio Grande do Sul contou com 1.031.646 hectares. A estimativa é que o Estado atinja produção de 6,25 milhões de toneladas.

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