Revoltados e exaltados, caminhoneiros fecham BR

Mais de 50 caminhões foram atravessados na BR-163.

Revoltados por serem impedidos de seguir caminho, os caminhoneiros barrados pelos manifestantes do movimento Grito do Ipiranga decidiram bloquear totalmente a BR-163 em Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá) no início da noite de ontem. Os caminhoneiros afirmam que só liberarão o tráfego na rodovia quando tiverem passagem livre pelo bloqueio.

Impedidos de trabalhar, muitos alegam estar passando fome e declararam ser contrários à ação do movimento.

– Se não podemos passar, então ninguém passará – alerta o caminhoneiro, Hozani dos Santos.

Mais de 50 caminhões iniciaram o bloqueio na rodovia, mas esse número deve aumentar no decorrer das horas, pois os caminhoneiros iriam convocar todos os companheiros para deixarem os pátios dos postos de combustíveis e aderir ao trancamento da BR.

– Estamos convocando pelo rádio para que todos os companheiros venham ajudar a fechar a rodovia, além daqueles que já estão nesse trecho – explica Santos.

O bloqueio foi montado com caminhões atravessados e enfileirados na pista, nos acostamentos e nas vias laterais à BR, impedindo a passagem dos carros.

Até mesmo um trator foi utilizado para amontoar terra com a finalidade de impedir a passagem dos veículos menores, mas o tratorista apenas falou que se tratava de um caminhoneiro que tinha um trator e veio ajudar o bloqueio.

Em contrapartida, os líderes do movimento dos agricultores se isentaram da decisão dos caminhoneiros e reafirmaram que o bloqueio continuará até que haja uma resposta do governo Federal.

– Não estamos realizando o bloqueio total, nem apoiamos essa decisão, mas a liberação deles (caminhoneiros) não acontecerá até sexta-feira – garante um dos líderes do protesto, o presidente do Sindicato Rural de Feliz Natal, Sérgio Barbieri.

Ele ainda declarou que em Sinop não acontecerá o furo do bloqueio, como aconteceu ontem em Rondonópolis (região Sul do Estado), onde os caminhoneiros usaram a força para prosseguir viagem.

– Os manifestantes de Rondonópolis foram pegos de surpresa e isso não acontecerá aqui (Sinop), pois estamos preparados – afirma Barbieri. Ao ser questionado sobre esse preparo, o manifestante desconversou, mas depois disse que “temos tratores bloqueando as passagens”, são cerca de “uma dúzia de máquinas”.

Para amenizar a situação, os agricultores liberaram a passagem dos veículos de passeio, ônibus e ambulâncias por um desvio. Neste atalho os condutores percorrem oito quilômetros a mais para chegar à cidade, porém os caminhoneiros deverão bloquear essa via nas próximas horas.

– Enquanto os caminhoneiros não bloquearem esse atalho, iremos conduzir os veículos que estão liberados para trafegarem por esse caminho alternativo – insiste Barbieri.

O trânsito dos ônibus deve fluir com baldeação nos bloqueios, a situação é mais complicada com os veículos particulares, ambulâncias e as próprias carretas.

PREJUÍZOS -– Pelas estimativas dos caminhoneiros, por cada dia parado eles deixam de movimentar algo em torno de R$ 2 mil por carreta.

– Não podemos ficar parados! Estamos sendo impedidos de trabalhar, e como iremos pagar as nossas dívidas, quitar nossos caminhões? Tem gente passando fome já, sem dinheiro para comer – diz um dos caminhoneiros, que se identificou somente pelo apelido, “Chumbo”.

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