Rigotto reivindica a Palocci solução para a questão do arroz
No documento, Rigotto se mostra preocupado com a fixação do preço a ser pago aos arrozeiros, depois do anúncio de que o governo federal destinaria R$ 800 milhões para o setor.
O governador Germano Rigotto enviou, hoje (14), correspondência ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, na qual reivindica uma solução imediata para a grave situação enfrentada pelos produtores de arroz. No documento, Rigotto se mostra preocupado com a fixação do preço a ser pago aos arrozeiros, depois do anúncio de que o governo federal destinaria R$ 800 milhões para o setor.
“O governo federal definiu em R$ 23,20 a saca de 50 quilos, mas os produtores deveriam receber, no mínimo, R$ 25, valor para fazer frente aos custos de produção”, argumenta.
Na carta enviada a Palocci, Rigotto revela que foi registrada uma queda, apenas no Rio Grande do Sul, na ordem de R$ 1,7 bilhões no valor bruto da produção de arroz em comparação com a safra anterior. O governador afirmou ainda que a manutenção da renda ao produtor é fundamental para a permanência na atividade. “Somente no Rio Grande do Sul, 138 municípios e 232 mil empregos diretos e indiretos estão envolvidos com a produção orizícola. Há o risco, portanto, do desencadeamento de um novo processo de endividamento no setor, além do aumento do desemprego nas regiões produtoras de arroz”, advertiu.
Germano Rigotto considera fundamental a fixação da saca do arroz em ao menos R$ 25,00 para acabar com a intranqüilidade dos produtores. “Além do baixo preço pago, muito aquém dos custos de produção, os arrozeiros competem de forma desigual com o produto que entra livremente, vindo de países do Mercosul. É preciso fixar cotas e salvaguardas para proteger os produtores”, afirmou.
O governador confirmou que, no dia 29, estará em Brasília, onde participa do protesto dos produtores de arroz. Até lá, Rigotto continua gestionando junto à equipe econômica e ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, a fixação de preço mínimo maior para fazer frente aos custos de produção e a adoção de medidas para conter a entrada indiscriminada de arroz, principalmente do Mercosul.
A previsão é de que 20 mil arrozeiros ocupem a Esplanada dos Ministérios. O objetivo é obter do governo federal a garantia da retirada imediata de 1,5 milhão de sacas de arroz do mercado e a fixação do preço mínimo em R$ 27,00 para a saca de 50 quilos. O Ministério da Agricultura anunciou a destinação de R$ 1 bilhão para o setor produtivo de todo o país, mas não houve confirmação, até agora, sobre o montante previsto para o setor orizícola.
Hoje pela manhã o governador reuniu-se, no Palácio Piratini, com o deputado estadual Marco Peixoto para definir formas de mobilização. O trabalho será realizado em conjunto com a Federarroz, Farsul e as diversas associações de arrozeiros de todo o Estado. Para Rigotto, é fundamental a adoção de medidas urgentes. “O setor arrozeiro emprega mais de 200 mil pessoas e gera mais de R$ 220 milhões em tributos, além de manter 282 indústrias de beneficiamento. Por isso, é fundamental uma solução para o setor”, afirmou.
Para Germano Rigotto, também é inaceitável que o arroz produzido no Mercosul continue entrando livremente no país. “É preciso adotar uma política de cotas e estabelecer salvaguardas para os nossos produtores. Somente nesta safra entraram 125 mil toneladas de arroz do Mercosul, ao preço médio de R$ 20,00”, afirmou. Além da produtividade, Rigotto lembrou que o setor tem o maior nível de organização da cadeia produtiva do arroz e também o maior nível de profissionalismo no cultivo do cereal.


