Rio Grande do Sul tem problemas para armazenar o arroz

Grande colheita e estoques remanescentes de 2005 disputam espaço nos armazéns do estado. Ainda assim, o setor tem esperanças na liberação do AGF o mais rápido possível, considerado um dos últimos tiros para indicar uma tendência de alta para os preços.

O Rio Grande do Sul está colhendo uma grande safra de arroz. A expectativa é de superar os 6,5 milhões de toneladas de grãos. Somadas a mais 1,5 milhão de toneladas remanescentes da safra passada em estoques públicos, das indústrias e nas mãos dos produtores, o estado está concentrando cerca de 8 milhões de toneladas de arroz nestes meses de abril e maio, marca considerada preocupante pelo setor. O gargalo da armazenagem está gerando preocupação no setor e é considerado um fator coadjuvante para a queda registrada nos preços do produto.

Desde a virada do ano muitos produtores e indústrias de menor porte passaram a limpar os silos para o ingresso da safra nova. Isso gerou uma pressão de oferta acima do esperado. A partir de março as indústrias de grande porte passaram a optar por alternativas de estocagem. Algumas indústrias estão optando pela instalação de silos infláveis para assegurar a armazenagem. Em muitas indústrias gaúchas já não há mais recebimento de arroz seco. O arroz verde também começa a ter restrita a sua entrada nos engenhos de menor porte.

O diretor comercial e industrial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Rubens Pinho da Silveira, confirma que as indústrias gaúchas estão passando por uma real dificuldade de espaço para armazenar a safra. Tanto que depósitos do Irga que não eram ocupados para armazenar a safra pelo fato da estrutura ainda se destinar a arroz ensacado, estão sendo locados. Os problemas de estocagem, contudo, não são considerados um fator significativo de impacto nos preços.

– É claro que com os preços hoje praticados, qualquer notícia sobre problemas de armazenagem acaba de alguma forma impactando o mercado. Mesmo assim, as razões destes baixos preços são outras, como os estoques altos, uma grande safra no Mercosul e os reflexos do câmbio – explica Pinho da Silveira.

A preocupação, segundo o diretor do Irga, é para o caso de serem liberados recursos para Aquisições do Governo Federal (AGFs). Neste caso as indústrias já estarão abarrotadas de arroz e pode haver algum problema maior. Ainda não é o caso.

– O que está acontecendo é que muitos arrozeiros que secam o produto em casa passaram a enviar o produto ainda verde para a indústria.

Silveira considera, no entanto, que este problema de armazenagem concentra-se no segundo trimestre do ano. Lembra que a média histórica do Rio Grande do Sul é a exportação – para outros países e para o restante do Brasil – de aproximadamente 420 mil toneladas/mês.

– É uma dificuldade pontual. Até julho estará normalizada pelo beneficiamento e venda do cereal. O PEP ajuda neste propósito – reconhece.

AGF – Independentemente da dificuldade de estocagem, o diretor comercial e industrial do Irga, Rubens Pinho da Silveira, considera fundamental a imediata liberação de recursos para AGFs. Lamentou as dificuldades para aprovação do Orçamento da União no Congresso Nacional, que impedem a liberação dos recursos para AGF.
– O ideal é que este tipo de mecanismo de comercialização, que tem o objetivo específico de sustentar mercado e preço mínimo, seja liberado no primeiro semestre, quando o silo está cheio. Não pode ocorrer como no ano passado, que é liberado quando 30% a 40% dos produtores ainda tem algum arroz na mão. Os demais já venderam tudo.

Para Silveira, de nada adianta o preço arroz ter previsão de alcançar R$ 25,00 no segundo semestre se apenas 40% dos produtores vão ter produto para comercializar. Ele afirma que o mercado tem uma leitura diferente para o AGF e para os outros mecanismos como Prop, PEP e outros.

– O produtor sabe que o AGF que dizer que o Governo Federal entrou comprando arroz pelo preço mínimo, que é quase seis reais acima do preço de mercado hoje. Sabe que o governo está intervindo e mesmo que o sistema não beneficie diretamente todo mundo, o mercado vai se mover.

Segundo Rubens Pinho da Silveira, o produtor vai buscar mais informações, busca as corretoras e acaba encaminhando um pouco de AGFs, se informa e entra no PEP, no Prop e em outros programas.

– O AGF tem mais um papel psicológico do que prático no mercado. Ele desencadeia um processo que indica uma recuperação de preços ao menos ao patamar do mínimo. O que, pelas atuais circunstâncias do mercado brasileiro de arroz, já é um grande negócio

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