Rizicultores do Vale do Araraguá participam de tratoraço em Brasília

Sensibilizar o governo Federal pela gravíssima situação que se encontra o preço do arroz. Com essa finalidade, centenas de rizicultores do Vale de Araranguá se dirigem a Brasília onde participam do tratoraço que será realizado terça (28) e quarta-feira (29)..

O gerente de Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Araranguá, Vilmar José da Silva, partiu no domingo (26), de ônibus, para Brasília juntamente com os rizicultores. Somente da região são três ônibus que estão se dirigindo a capital federal.

Na terça-feira serão realizadas reuniões com os rizicultores e na quarta ocorrem os encontros no Ministério da Agricultura e Banco Central. Os manifestantes também solicitaram audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não receberam resposta se serão atendidos.

O secretário de Desenvolvimento Regional de Araranguá, Heriberto Afonso Schmidt, também participará da manifestação. Segundo ele, entre as reivindicações dos produtores de arroz esta a aquisição pelo governo Federal de 1,5 milhão de toneladas de arroz, através de contratos de opção (AGF e EGF), renegociação das dívidas dos rizicultores, correção do preço mínimo, de forma a garantir a cobertura dos custos de produção e a justa remuneração das famílias que atuam na atividade, além de fazer um acordo dos envolvidos na cadeia produtiva orizícola, para que o preço de mercado do arroz em casca, seja praticado a um teto mínimo de R$ 30,00, conforme o Estatuto da Terra.

Heriberto diz que o sul do Estado é responsável por 65% do arroz produzido em Santa Catarina. Segundo ele, o comércio já sente as reações da queda do cereal, com uma significante redução nas vendas. “Caso o Governo Federal não tome uma atitude à conseqüência poderá ser drástica, como altos índices de inadimplência, uma vez que os agricultores estarão impossibilitados de honrar seus financiamentos, êxodo rural, desemprego de milhares de famílias, além de outras”, acrescenta.

De acordo com o secretário, os produtores argentinos e uruguaios obtêm vantagens sobre os produtores brasileiros, devido a acordos do Mercosul. “O arroz importado do Mercosul é produzido com máquinas e insumos mais baratos, com menos impostos e não pagam tributos de comercialização, como é pago no Brasil”, ressalta ele, acrescentando “e é isto que está desregulando o preço no mercado interno, o que ocasiona conseqüentemente a comercialização abaixo do custo de produção, e traz sérios prejuízos para os produtores, e a economia”.

Hoje a saca de 50 quilos é comercializada a R$ 19,00, enquanto na safra 2003/2004 ela era vendida a R$ 35,00. Segundo o presidente da Associação Catarinense de Irrigação e Drenagem, Sergio Marini, os rizicultores têm um prejuízo de 25% por saca, já que o custo de produção está entre R$ 21,00 e 23,00.

A rizicultura gera mais de 70 mil empregos diretos em Santa Catarina. São 12 mil famílias que trabalham com a produção de arroz, sendo cultivados em torno de 145 mil hectares. Além disso, a produção brasileira aumentou cerca de 19% nas últimas cinco safras, a produtividade média das lavouras de arroz também subiu de forma significativa no mesmo período, com destaque para o último ano safra, quando a produtividade nacional alcançou o índice mais elevado da história, verificou-se, ainda, o aumento na área plantada de arroz.

Desta forma, o aumento da produção brasileira de arroz permitiu que o país alcançasse a auto-suficiência em relação ao consumo do produto. No entanto, ao analisar o volume de importações ao longo dos 5 anos, principalmente no período correspondente a safra 2002/2003, verifica-se um verdadeiro surto das importações de arroz.

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