Ruralista de Sinop culpa o Governo Federal por redução de área
Para o presidente do Sindicato Rural de Sinop, área plantada no Mato Grosso pode ser reduzida porque o Governo Federal maquiou os dados da safra e não quer comprar produto para formar estoques estratégicos e enxugar o mercado.
Ainda repercute no Mato Grosso o levantamento inicial de intenção de plantio realizado pela Associação dos Produtores de Arroz daquele estado (APA/MT). Segundo o presidente da APA/MT, Ângelo Maronezzi, se a safra fosse plantada neste período, haveria uma redução de até 50% da área utilizada para o cultivo do arroz no Estado. Entre os fatores elencados como responsáveis por esta possível redução de área estão os preços de mercado abaixo do esperado neste primeiro semestre (principalmente em comparação à soja) e também a inconformidade dos produtores com os números de safra divulgados pela Conab e IBGE, considerados superestimados. Os dirigentes arrozeiros do estado ainda acusam o Governo Federal de não revelar a situação de estoques zerados.
Na última safra, o Mato Grosso colheu cerca de 1,5 milhão de toneladas de arroz e manteve-se como segundo maior produtor do país. Uma quebra de 50% representaria uma colheita de 750 mil toneladas, gerando um déficit de produção e a necessidade de um grande volume de importações de produto com subsídios na origem.
Para o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Sérgio Rossani, acontecerá com arroz o que vem acontecendo com a BR-163, naquele estado. O Governo Federal possui condições de reverter a situação dos produtores de arroz em todos o país. Porém, vai acabar acontecendo com os produtores o que vem acontecendo com a rodovia. Promessas têm de monte e nada é feito, declarou.
Para Rossani, o Governo da União não realiza investimentos no setor e isso é prejudicial para os produtores rurais, que acabam tendo que vender a preços baixos e futuramente, em razão desta conjuntura, podem desistir da cultura do arroz. Mas o Governo não está atentando para o fato de que se continuar desta forma, no próximo ano o país terá de importar o produto pagando preços altíssimos e tudo isso por falta de investimento, acrescentou.
Para o dirigente sindical mato-grossense, o Governo Federal tem condições e deveria comprar arroz para a formação de estoques estratégicos e aproveitamento no Programa Fome Zero, o que enxugaria o mercado e repercutiria nos preços ao produtor. Na realidade, ele simplesmente não quer intervir. Está fazendo com os produtores de arroz o que vem sendo feito com as nossas estradas, lamenta Rossani. A produção de arroz em Mato Grosso representa cerca de 12% da produção nacional.


