Sai o VEP, mas o mercado segue em queda

A média, para o arroz industrializado gaúcho é de R$ 34,00. O catarinense fica em R$ 37,00 colocado em São Paulo.

Uma conjunção de fatores, principalmente a certeza de uma grande safra, de estoques de passagem bem maiores do que os oficialmente indicados e os compromissos dos arrozeiros com pagamento de insumos e custeio, bem como a facilidade de importação mantêm os preços do arroz em queda no mercado brasileiro, principalmente no Sul do Brasil. A entrada de arroz gaúcho no Mato Grosso chegou a provocar pequena queda nas cotações.

O arroz disponível no Mato Grosso é de baixa qualidade, mas está muito valorizado pela escassez de produto na região.
No Rio Grande do Sul boa parte das indústrias seguem fora do mercado, adquirindo o produto que está em depósito e em condições mais favoráveis. Por parte dos produtores, surge alguma pressão de oferta novamente, principalmente para limpeza de armazéns e silos.

Na região de Dona Francisca, na Depressão Central gaúcha, produtores estão providenciando sacaria para ensacar o arroz da safra antiga em guardar em galpões para liberar os silos graneleiros. A procura por arroz de melhor qualidade por empresas do Centro do País, não confirmou bom volume de negócios na última semana. As empresas oferecem de R$ 0,50 a R$ 1,50 abaixo do que os produtores e cooperativas estão pedindo.

O anúncio de VEP não trouxe qualquer reação ao mercado até o momento, principalmente por tratarem-se de volumes pequenos e com um destino que praticamente não altera de forma mais prática o cenário nacional. Na opinião de muitos produtores gaúchos, o VEP deveria valer para o Mato Grosso também, mas não é o entendimento dos mato-grossenses que vêm nesta medida um desestímulo à produção local.

PREÇOS

Os preços seguiram a tendência de queda, principalmente pela indicação do Cepea/Esalq. Segundo dados do Centro de Pesquisas Econômicas da Esalq, o arroz gaúcho colocado dentro da indústria está valendo R$ 22,16, a mais baixa cotação desde setembro. Com este indicador, o arroz gaúcho em sacas de 50 quilos (58% de inteiros), perdeu 1,78% de seu preço em novembro. Na última quinta-feira o produto valia R$ 22,55. A perda foi de R$ 0,34 por saca.

A referência de preços pagos ao produtor no Rio Grande do Sul, portanto, está entre R$ 22,00 e R$ 22,50, com algumas praças forçando preços abaixo do mínimo instituído pelo governo federal. Já, em algumas regiões, o arroz de 58% de inteiros não consegue preços acima de R$ 22,00 para fechar negócio.

Entre os analistas, ninguém arrisca apostar em reação, mesmo parcial, nos preços até a safra, exceto pela ocorrência de algo inesperado, como a incidência de chuvas que atrasem efetivamente o plantio da safra gaúcha e comprometa os resultados da produção.

O aumento de mais de 10% na área gaúcha não está ajudando na recuperação do mercado.

A indústria sabe que está abastecida e que no ano que vem o Rio Grande do Sul vai colher bem e ainda pode recorrer ao Mercosul.
Um corretor ligado ao segmento considera que no momento o Rio Grande do Sul deveria manter a área plantada, para enxugar a oferta, pois pode haver problemas com armazenagem no ano que vem.

Segundo o presidente da Federarroz, Renato Rocha, o Rio Grande do Sul não está aumentando lavoura, mas retomando a área histórica que só foi reduzida no ano passado por falta de água para irrigação. Além disso, o país vai colher de novo, menos arroz do que o consumo projetado pela Conab. E pro próximo ano, a Federarroz acredita que as importações serão menores, com a legislação.

– Reduzir área no Rio Grande do Sul não é solução. O endividamento do setor, que precisa ser pago, contratos de arrendamento, compromisso com investimentos e bancos e com os seus funcionários, o imobilizado em equipamentos e estrutura limitam esta possibilidade. Além disso há o Mercosul, que cresceria em cima da área reduzida no Rio Grande do Sul. Se fecharem a fronteira aqui, tudo bem. Mas, com o Mercosul, não dá pra o Brasil reduzir.

Em Cachoeira do Sul, Agudo, Rio Pardo, Rosário do Sul, Alegrete e Dom Pedrito, o arroz é comercializado entre R$ 21,85 e R$ 22,50, com alguns negócios já realizados por até R$ 21,50, para arroz padrão 58% de inteiros. Em São Borja e Itaqui, as variedades nobres mantêm-se com preços de até R$ 23,50 conforme a qualidade.

No Litoral Norte gaúcho, os preços seguem entre R$ 23,00 (IRGA 422CL) e R$ 26,00 (417 e 409 acima de 63%). Pelotas e Camaquã remuneram até R$ 23,50 para o produto posto na indústria, mas a maior parte dos engenhos, principalmente as de grande porte, seguem fora do mercado. Alguns se mantêm importando.

ESTADOS

Em Santa Catarina, com produção e demanda ajustadas, o mercado segue firme em R$ 22,00 Sul do Estado. No Mato Grosso, o mercado recuou com a entrada do arroz gaúcho, mas já retomou a recuperação ds preços pela falta de oferta e porque o VEP não incluiu o Estado.

– Teve gente por aqui que chegou a vender arroz de qualidade mediana por até R$ 35,00 a saca (60kg) em Sinop) – revelou um armazenador mato-grossense. A média dos negócios está entre R$ 29,00 e R$ 30,00. Em Sinop e Sorriso (MT).

BENEFICIADO

O mercado de arroz beneficiado segue bastante frio, mas com cotações médias mantidas.O preço do fardo de arroz gaúcho e catarinense, tipo 1, é comercializado entre R$ 34,00 e R$ 38,00, em média, dependendo da marca e posição no consumo. A média, para o arroz industrializado gaúcho é de R$ 34,00. O catarinense fica em R$ 37,00 colocado em São Paulo. O saco de arroz branco, 60 quilos, é cotado a R$ 47,00 no Rio Grande do Sul e chega a São Paulo por preços entre R$ 59,00 e R$ 61,00.

Os derivados apresentaram estabilidade nas cotações, nos preços desta semana, segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre. A saca de canjicão (quebrado) segue cotada a R$ 31,00. A quirera vale R$ 23,00 e o farelo R$ 290,00 a tonelada. A Mercado indica R$ 22,00 de preço médio à saca de arroz com 50 quilos (padrão 58% de inteiros), no Rio Grande do Sul.

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