Saída pelo mar
Produtores de arroz no Rio Grande do Sul buscam na exportação uma maneira de expandir seus negócios.
Depois de os produtores gaúchos de arroz terem vivido um ano ruim em 2005, com queda de preços e forte concorrência dos colegas argentinos, uruguaios e paraguais, há a expectativa de melhoria por meio das exportações.
As vendas para o Exterior tiveram crescimento de cerca de 1.600% no período de 2003 a 2005, quando as vendas brasileiras saltaram de 23,5 mil toneladas para 399,6 mil, respectivamente, segundo dados divulgados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). As exportações avançam, porém, ainda representam apenas uma pequena porção do total da produção nacional: em torno de 3%.
Além do crescimento nas vendas ao Exterior, um fato novo e surpreendente atiçou a curiosidade do setor: no final de agosto, foi encontrada uma variedade transgênica no arroz norte-americano, pondo em alerta mercados como Europa e Japão, que impuseram restrições às importações de produto.
– É um zacudón muito grande no mercado disse o uruguaio Ricardo Han, especialista em mercado internacional de arroz.
Han participou do painel Clima e Mercado Internacional do aRroz, realizado pelo Irga, durante a Expointer 2006. O arroz norte-americano representa cerca de 12% do mercado internacional.
Segundo o especialista, uma suspensão ou restrição duradoura do produto transgênico pode abrir espaço para o cereal gaúcho. A demanda mundial por arroz é crescente desde 2002, o que também pode significar bons negócios para os arrozeiros do Rio Grande do Sul.
– A produção mundial segue incapaz de satisfazer a demanda afirmou Han.
O especialista projetou a queda no custo do frete até 2008, o que deve beneficiar as exportações. Desde o ano passado, o transporte para os brasileiros quase dobrou de preço. A redução dos valores ocorreria com uma enxurrada de novos navios no mercado, aumentando a concorrência no setor.
ESTRATÉGIA Se depender da orientação do Instituto de Estudos de Comércio e Negociações Internacionais (Icone), os arrozeiros gaúchos devem mirar nas bordas dos alvos tradicionais para consolidar a expansão das exportações.
Segundo André Nassar, gerente-geral do Icone, mercados emergentes como Oriente Médio, África Central, América Central, Caribe, África do Sul e países andino estariam mais propensos a comprar arroz gaúcho. Nassar explicou que a maioria desses potenciais clientes estão em crescimento. Europa e Ásia, os maiores compradores, têm fornecedores consolidados. Ainda assim, o surgimento de arroz transgênico nas exportações dos Estados Unidos pode abrir brechas para o produto gaúcho na Europa.
Evolução das exportações brasileiras de arroz:
2003 23,5 mil toneladas
2004 92,2 mil toneladas
2005 399,6 mil toneladas
2006* 234,9 mil toneladas
O consumo de arroz no Brasil no ano passado:
Importado 750 mil toneladas
Nacional 12,25 milhões de toneladas
Total 13 milhões de toneladas


