Santa Catarina: Compradores da Venezuela e Cuba geram prejuízo de R$ 20 milhões a arrozeiros

 Santa Catarina: Compradores da Venezuela e Cuba geram prejuízo de R$ 20 milhões a arrozeiros

Foto: Marco Fávero/SecomSC

(Por Thiago Hockmüller/40ito) O calote de empresas importadoras da Venezuela e de Cuba impediu o pagamento a produtores de Santa Catarina, que cobram na Justiça mais de R$ 20 milhões pela venda de arroz realizada há cerca de dois anos. A negociação envolveu a exportação do produto por meio de uma empresa intermediadora do Rio Grande do Sul, que afirma não ter recebido os valores das compradoras estrangeiras.

A venda foi fechada por cerca de R$ 14 milhões, mas, com correções, a dívida já chega a R$ 21 milhões. Desde então, os arrozeiros catarinenses buscam receber o valor acordado, conforme o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz).

Diante da inadimplência das empresas estrangeiras, os produtores ingressaram com ação judicial para tentar reaver os valores, executando garantias apresentadas pela intermediadora responsável pela exportação.

Segundo o presidente do SindArroz, Walmir Rampinelli, a empresa apresentou imóveis como garantia contratual. Um deles, localizado em Pelotas, no Rio Grande do Sul, está vinculado ao processo judicial como parte da execução da dívida.

“A empresa alega que não nos paga porque não recebeu dos empresários dos países para os quais ela exportou. E nós executamos essa empresa que fez a exportação. Contratamos um advogado e essas garantias estão sendo executadas agora. A empresa é que vai ter que receber dos países aos quais ela destinou o produto”, explica Rampinelli.

Para o setor do arroz catarinense, o olhar para os mercados da Venezuela e de Cuba é de cautela. Embora o não pagamento envolva empresas privadas, o presidente do SindArroz avalia que o ambiente político e econômico dos países de destino influencia diretamente a segurança das negociações.

No caso da Venezuela, há ainda o cenário de instabilidade em função da recente captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. “Nós já havíamos feito outros negócios que deram certo. Esse que não deu, então a gente parou. É inseguro, mas acredito que agora se crie um pouco mais de credibilidade para a gente exportar”, avalia.

Já a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) afirma que o cenário para o suprimento de arroz à Venezuela entra em “fase de incerteza”, que dependerá diretamente dos próximos passos da transição política e da estrutura a ser estabelecida pelos Estados Unidos. A Venezuela se consolidou como um dos principais destinos do arroz em casca brasileiro, mantendo volumes expressivos de importação. Em 2025, o país atingiu a marca de 165,7 mil toneladas, representando 32,4% do total exportado pelo Brasil nesse nicho, a maior fatia, segundo dados consolidados até novembro.

“Além da liderança na matéria-prima, a Venezuela também figurou como um mercado relevante para o arroz polido brasileiro até 2024, posicionando-se frequentemente entre os dez principais destinos globais dessa categoria”, afirma a Abiarroz, em nota.

O arroz exportado por Santa Catarina com destino aos mercados venezuelano e cubano é enviado inicialmente ao Rio Grande do Sul, onde segue a granel para o Porto de Rio Grande. No local, ocorre a classificação e o armazenamento até o embarque.

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