Santa Catarina: recomendação para quitar dívida no campo
Muita gente já investiu menos para a nova safra, por conta dos preços do ano passado, e mesmo assim anda preocupado com o vencimento dos financiamentos.
O produtor de arroz do Vale do Itajaí acredita que mesmo com as boas perspectivas para o preço do produto, nos próximos meses, a prorrogação ou negociação das dívidas é a melhor saída para não descapitalizar ainda mais o setor. Muita gente já investiu menos para a nova safra, por conta dos preços do ano passado, e mesmo assim anda preocupado com o vencimento dos financiamentos.
– O produtor está sem mercado. O preço entre R$ 16,00 e R$ 17,50 é muito ruim. Sem em 2004 precisava de mil sacos para pagar uma dívida, hoje são necessários 2 mil sacos – compara o agrônomo Richard Bacha, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).
Outro problema diz respeito à política de importação, conforme lembra o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri.
– Estamos trocando arroz por geladeira e isso está prejudicando nossos produtores – comentou.
A melhora nos preços, segundo ele, é prevista para o fim deste primeiro semestre, associada à redução dos investimentos do Centro-oeste do País. Até lá a tendência é de que o preço da saca permaneça na faixa atual, mesmo com a entrada da nova safra. Bem longe dos R$ 34,28 pagos em fevereiro de 2004.
O produtor de arroz Joel Fronza, de Rio do Sul, diz que a situação está complicada porque os produtores equilibraram parcelas da dívida de 2005 dentro das parcelas que vão vencer esse ano. A venda da safra permitiria o pagamento, mas não sobraria quase nada na maioria das propriedades.
– O produtor precisa agora se segurar. Ele sabe que a produção tem ciclos e que, com a melhora do preço, ainda este ano, em 2007 será bom e em 2008 melhor ainda – comenta.
Para Fronza numa situação como a atual, o melhor é quitar a dívida, mesmo que implique em descapitalização.


