Sem arroz máquinas perdem utilidade em Campo Mourão – PR

A falta de plantio do produto na região tem feito com que as máquinas fiquem paradas no Paraná.

Nos últimos anos as máquinas de beneficiar arroz não estão tendo muito o que fazer. A falta de plantio do produto na região tem feito com que as máquinas fiquem paradas. O comerciante Alfredo Cardoso, que trabalha no ramo desde 1971, conta que atualmente, a máquina de arroz está sem muita utilidade.

Segundo Cardoso, pouca gente tem plantado arroz. Ele diz que durante a semana liga a máquina somente para meio dia de serviço e é para beneficiar arroz de clientes.

– Hoje em dia não se encontra mais o produto para comprar e depois revender. O pouco que temos é devido a porcentagem que pegamos para beneficiar arroz dos produtores.

O comerciante revela que ainda há pessoas que preferem comprar arroz direto na máquina.

– Aqui empacotamos o produto e comercializamos. Alguns ainda preferem comprar esse tipo de arroz, pois dizem que é mais saboroso.

Na opinião de Cardoso, o arroz perdeu espaço para outras culturas. Ele destaca que antigamente existiam pequenos sítios que hoje se formaram em grandes fazendas.

– Hoje é difícil sobreviver somente de beneficiamento de arroz. Aos poucos as máquinas vão ficando sem utilidade e a tendência é que elas fechem – opina.

Um outro comerciante que trabalha com máquina de arroz é João Toth. Na opinião dele os agricultores não estão tendo incentivo para plantar o arroz.

– Muitos deles só plantam para consumo próprio e mesmo assim é muito pequena a área de cultivo – comenta. Ele diz que está trabalhando no ramo há 31 anos e quando começou existiam em Campo Mourão 18 máquinas e hoje apenas três estão em funcionamento.

Toth comenta que liga os maquinários apenas duas vezes por semana.

– E mesmo assim é pouco o trabalho. É preciso esperar que acumule arroz ou então não compensa devido as despesas serem altas.

O comerciante comenta que ele mesmo compra o produto já empacotado.

– Não tem compensado comprar arroz em casca – frisa e conclui que a tendência é extinguir as máquinas que ainda sobrevivem.

Quem ainda compra arroz nas máquinas são pessoas de menor poder aquisitivo e que na maioria das vezes adquirem o produto ‘picado’.

– Eles compram em arroz o dinheiro que tiverem no bolso. Muitas vezes chegam e pedem R$ 2,00 ou R$ 3,00.

– Lembro que antigamente vendia muito arroz, pois existia no município bastante bóia-frias. Quando o caminhão parava em frente a máquina todos corriam para comprar arroz – destaca e acrescenta que hoje não vende 10% do que era comercializado há dez anos.

O preço do produto comprado direto na máquina é mais em conta e custa em média R$ 0,80 o quilo. É pago ao agricultor R$ 20,00 a saca ainda em casca.

– Para se ter uma idéia os produtores não estão procurando nem semente para efetuar o plantio da cultura – observa Toth.

Mesmo com as dificuldades, o comerciante ainda consegue tirar sustento da máquina de arroz. No local ele também comercializa quirera o que garante um movimento a mais no comércio.

Área de plantio – Segundo dados do Departamento de Economia Rural – Deral, na região será plantada uma área de 3.500 hectares de arroz das águas e 300 hectares do produto com irrigação.

Conforme o engenheiro agrônomo Edilson Souza e Silva, a maioria das áreas, de arroz das águas, são de agricultura familiar e o produto colhido é usado para alimentação da própria família.

– Geralmente, eles vendem somente o excedente – salienta.

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