Semana abre com ligeiro aquecimento nos preços do arroz
Aumento da procura pelo arroz gaúcho começa a refletir no mercado. Cotação do casca já bate em R$ 17,00 em algumas regiões e o beneficiado força alta de até R$ 2,00 em algumas marcas.
O mercado do arroz começou a semana confirmando, no Rio Grande do Sul, a ligeira reação que vinha sendo percebida na semana anterior. Em algumas regiões o preço bruto já alcançou R$ 17,00, com indicação de preço líquido ao produtor de R$ R$ 16,40 a R$ 16,75. No Litoral Norte gaúcho arroz de variedades nobres e com mais de 63% de inteiros deu um salto por conta da grande procura pela indústria e varejistas de São Paulo.
Em Capivari do Sul, os produtores estão recebendo R$ 22,00 pelas variedades Irga 417 com 64% de grãos inteiros. O presidente da Cooperativa Rizícola Pitangueira Ltda, Gilnei Soares, informa que a procura pelo cereal, principalmente pelos paulistas, aumentou muito nos últimos 10 dias, forçando esta reação nos preços.
Em Uruguaiana (Fronteira Oeste) as indústrias locais praticam R$ 16,75 a R$ 17,00, mas a pressão de compradores de fora do Rio Grande do Sul já faz o mercado cogitar preço médio de R$ 18,00 para o saco de 50 quilos. Todavia, este preço é pago para produto transportado por ferrovia, com custo de frete menor e sem balança. Em Cachoeira do Sul (RS) as empresas locais já praticam R$ 17,00 (brutos), com predominância da variedade Irga 422CL.
No Rio Grande do Sul, esta virada de mês é considerada muito importante para a retomada de preços no segundo semestre. A expectativa é de que com o leve aquecimento, os produtores não se joguem ao mercado ofertando arroz. Uma superoferta neste momento esfriaria o mercado.
Apesar da leve reação, raros negócios estão sendo realizados. Os produtores não estão ofertando e esperam um prazo de 10 dias para ver os efeitos do pacote agrícola do governo federal. Também estão procurando os contratos de AGFs disponibilizados pela Conab e outros mecanismos de comercialização que garantam preço mínimo de R$ 22,00 o saco.
Nesta terça-feira, nem oferecendo R$ 18,00 no mercado de Pelotas uma grande empresa da Depressão Central conseguiu realizar negócio com produto para parboilização. A reação nos preços se dá exatamente por este fator, a procura pelo produto gaúcho aumentou nesta virada de mês e os produtores seguraram o arroz.
BENEFICIADO
Com o aumento da procura pelo arroz gaúcho, as indústrias trataram de reajustar suas tabelas e estão forçando uma alta também no fardo de 30 quilos de arroz beneficiado. Indústrias de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) reajustaram em média R$ 1,00 o fardo, mesmo patamar seguido por indústrias catarinenses e a maioria das empresas gaúchas. Algumas cooperativas, no entanto, reajustaram em até R$ 2,50 o fardo para reposicionamento no mercado, já que operavam com valores abaixo das médias.
O preço final do fardo de arroz gaúcho em São Paulo gira em média de R$ 27,00 a R$ 28,00. No Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre R$ 28,00 e R$ 29,50. O saco de arroz beneficiado de 60 quilos já vem recebendo maior aceitação, com preços entre R$ 35,00 e R$ 36,00 (FOB) e R$ 47,00 a 48,50 (final em São Paulo).
Segundo agentes de mercado estabelecidos em São Paulo, o mercado comprador ainda não assimilou a alta que está sendo forçada pelo mercado vendedor. Nas gôndolas dos supermercados paulistas ainda existe muitas ofertas de sacos de cinco quilos de arroz com preços inferiores a R$ 5,00.
DERIVADOS
As cotações dos derivados estão acompanhando o leve aquecimento dos preços do arroz em casca, exceto no caso do farelo, que se manteve na faixa de R$ 200,00 a tonelada (R$ 0,20 o quilo). O canjicão é cotado a R$ 20,00 o saco de 60 quilos e a quirera entra R$ 14,50 na indústria de farinhas e R$ 16,00 na indústria aviária.


