Semana confirma tendência de queda moderada nos preços do arroz

Produtores seguem ofertando mais do que a demanda da indústria, que recuou bastante. Exceção é a indústria de parboilizado da Zona Sul gaúcha. Varejo segue travado, forçando a indústria a reduzir as tabelas de preços.

O mercado de arroz brasileiro confirmou as tendências antecipadas por Planeta Arroz na última análise de mercado e apresentou queda nos preços do produto em casca e beneficiado esta semana, principalmente no Rio Grande do Sul, que atualmente responde por quase 60% do abastecimento nacional e dita as regras de comercialização nacional.

Dois foram os principais fatores que contribuíram para esta redução nos preços: o aumento da oferta de produto por parte dos arrozeiros gaúchos – que estão pagando parcelas de custeio da safra passada com vencimento entre os dias 15 e 30 de julho – e o recuo da indústria, que estava compradora, mas inverteu esta tendência pela redução do interesse do varejo, que não aceita o percentual e a velocidade de recuperação dos preços do produto em casca registrados em junho.

As férias escolares também estão influenciando negativamente no consumo, dando oportunidade do varejo trabalhar com estoques mínimos. A oferta de arroz é maior que a demanda da indústria, mas não tão expressiva quanto se esperava. Poucos negócios foram registrados na semana. A movimentação de produtores em busca de documentos para fazer contratos de AGFs aumentou consideravelmente.

Diante deste cenário, o arroz é comercializado no Rio Grande Sul por valores entre R$ 19,35 e R$ 20,50 dependendo da região e se é venda livre (preço ao produtor) ou posto na indústria. Dom Pedrito, Bagé, São Gabriel, Uruguaiana, Rosário do Sul, Santa Maria, Cachoeira do Sul, Alegrete e Restinga Seca registram média de 19,50 livre ao produtor, queda de R$ 0,20 por saco de 50 quilos para o arroz de 58% de grãos inteiros. Rio Pardo, Guaíba, Itaqui, São Borja, Litoral Norte e Tapes registraram um mercado andando de lado, mantendo preços mais próximos de 20,00 para o produtor para este padrão de produto, com oferta concentrada sobre a variedade IRGA 422CL e similar.

Pelotas, Camaquã, Itaqui e Uruguaiana estão pagando R$ 20,50 para o arroz posto na indústria (frete incluso). As variedades nobres estabilizaram na faixa de R$ 22,00 em Santo Antônio da Patrulha e Capivari do Sul (Litoral Norte gaúcho), entre R$ 21,50 e R$ 22,50 em Itaqui, Alegrete e São Borja (dependendo do rendimento – posto na indústria). A queda nos preços, de maneira geral, ficou entre R$ 0,50 e R$ 0,25. O Irga trabalha com indicativo de queda de 3,2% nos preços do produto esta semana, fechando média estadual na casa dos R$ 21,00. O indicador Cepea/Esalq aponta R$ 20,44 para a média gaúcha, preço referente ao produto posto na indústria com frete incluso.

INDÚSTRIA

As principais indústrias gaúchas estão fora do mercado. As que estão comprando produto em casca forçam o preço para baixo como forma de adequar a reposição de estoques ao patamar que está sendo forçada a vender para o varejo. A presença de arroz beneficiado gaúcho no Espírito Santo e Minas Gerais com preços de R$ 23,80 a R$ 24,50 (FOB Depressão Central gaúcha) gerou inconformidade entre muitos agentes de mercado, mas demonstra que há uma guerra por espaço no mercado entre as marcas secundárias.

O mercado do arroz casca segue aquecido na Zona Sul gaúcha para o arroz “fraco” para parboilização. Em alguns negócios confirmados esta semana foram pagos até R$ 20,00 para produto entre 45% e 50% de grãos inteiros, posto na indústria de Pelotas. O PEP para o Nordeste e a falta de armazéns na safra – que forçou a armazenagem do produto em casa para muitos produtores – fizeram escassear os estoques deste padrão de produto na região. A demanda de indústrias catarinenses e paranaenses, que tem se acentuado nas últimas semanas, é um coadjuvante na pressão de alta sobre o arroz fraco.

SANTA CATARINA

Em Santa Catarina os preços mantiveram certa estabilidade, ainda não refletindo a ligeira queda do RS. Cotações de R$ 18,00 em Rio do Sul e Jaraguá do Sul e R$ 19,50 a 20,00 no Sul catarinense. A indústria catarinense está relativamente abastecida e realiza compras em baixos volumes.

MATO GROSSO

O Mato Grosso manteve preços estáveis para o arroz, em sacos de 60 quilos. O arroz Primavera com mais de 50% de grãos inteiros alcançou média de R$ 23,75 posto em Cuiabá. Varia entre R$ 21,00 e R$ 22,00 ao produtor em Sinop, valor que supera o preço mínimo, de R$ 20,70. A produção está direcionada apenas ao mercado matogrossense. A indústria do Mato Grosso é compradora, mas dois fatores estão interferindo no mercado. O produtor está segurando a produção um pouco mais como forma de buscar melhores preços e a disponibilidade de produto de qualidade no estado é muito pequena. A Conab já assumiu o compromisso de estudar a viabilidade de liberação de estoques no MT para atender a demanda da indústria local para abastecimento do mercado estadual.

Todavia, o estudo para definir o preço de liberação de estoques (PLE) teve as regras alteradas recentemente e prevê a formação de um valor médio entre o custo operacional e a paridade de importação. Há dúvidas na cadeia produtiva, e é objeto de estudo da Conab, qual o parâmetro será usado: se os preços de importação do Mercosul ou de terceiros mercados, como Estados Unidos e Ásia. Em princípio, haveria uma média ponderada, pois a diferença é muito discrepante. Analistas da área acreditam que o valor ficaria entre R$ 23,50 e R$ 25,00 e que a liberação, se confirmada, só virá no segundo semestre de setembro.

BENEFICIADO

A semana de 10 a 14 de julho (considerando apenas os dias úteis) esteve entre as de maior calmaria no último trimestre. É baixa a demanda do varejo, tendência que muitos agentes de mercado apostam manter-se para a próxima semana. Todos os negócios confirmados – e em baixos volumes – aconteceram com concessões das indústrias de beneficiamento sobre as tabelas originais. O preço médio final do fardo colocado em São Paulo, que já andou na casa dos R$ 34,00 para o produto comercializado à vista, baixou para R$ 32,50. As grandes empresas de atacado e as redes de supermercados só buscam negócios de conveniência, com vantagens sobre os patamares normais, mesmo que isso implique em mudar parcialmente de fornecedor.

As marcas “top” também fizeram concessões e fardos de arroz tipo 1 que eram comercializados entre R$ 39,00 e R$ 40,00 na última quinzena, já voltaram ao patamar de R$ 37,50 e R$ 38,00. A marcas de tipo especial mantiveram o patamar de R$ 45,00, preço final em São Paulo. O pólo de Santa Cruz do Rio Pardo (SP) manteve tabelas na faixa de R$ 35,00, mas a maior parte dos negócios que fechou ficaram na casa de R$ 32,00 a R$ 33,00. Na região, há bastante preocupação. Muitas indústrias acreditavam que o preço do arroz gaúcho em casca não retrocederia e se estocaram pagando até R$ 25,00 pelas variedades nobres (sacos de 50 quilos). Agora, ficou difícil repassar o valor para o varejo.

O arroz gaúcho beneficiado em sacos de 60 quilos chega na faixa de R$ 58,00 a R$ 60,00 em São Paulo (preço final), mas o movimento esta semana foi praticamente inexistente. Pequenos negócios para arroz da “safra velha”. No Rio Grande do Sul este produto é negociado – também em pequenos volumes – na faixa de R$ 42,00 a R$ 44,00 (FOB). Indústrias que trabalhavam na faixa de R$ 45,00 a R$ 46,00 já não realizaram mais negócios nos últimos dias.

OFERTAS

As ofertas de arroz voltaram aos supermercados paulistas esta semana com mais força e com preços entre R$ 5,00 e R$ 5,20 para o produto do tipo 1 em sacos de cinco quilos. Algumas redes ainda mantêm produto acima de R$ 6,30, principalmente de marcas tradicionais.

– As redes que conseguiram realizar compras de oportunidade estão trabalhando de forma a chamar os consumidores para estas ofertas – comentou um agente de mercado.

TENDÊNCIAS

A próxima semana começa com férias escolares de São Paulo para “baixo”. E promete manter a calmaria, até podendo apresentar mais uma redução nos preços do produto em casca no Rio Grande do Sul. Alguns analistas acreditam que os R$ 19,00 devem ser o parâmetro de baixa até o final de julho, mas apostam em recuperação a partir de agosto. Os AGFs voltaram a ser um negócio interessante, ao preço mínimo de R$ 22,00, para muitos produtores. Bem como as ofertas de algumas indústrias de pagar de R$ 24,00 a R$ 25,00 na parcela futura para pagamento dos bancos. Muitas indústrias que haviam feito estas ofertas, no entanto, estão voltando atrás.

Esta semana novamente houve boatos de aumento do ingresso de arroz do Mercosul na fronteira gaúcha, que acabou não se confirmando. As cargas que chegaram, são as contratadas há duas semanas, quando os preços chegaram a estar mais convidativos para o Uruguai e a Argentina. A paridade do arroz uruguaio, na equivalência em saco/casca de 50 quilos, fica na faixa de R$ 21,70 – posto na indústria de Pelotas. O argentino chega R$ 0,50 abaixo, mas quase R$ 1,00 acima do mercado interno. Os preços internos ainda não interessam ao Mercosul, que está obtendo valorização mais interessante em negócios com outros países.

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