Semana de preços ridículos, mas estáveis para o arroz

O aumento do volume de negócios de final de mês, o anúncio da liberação de recursos para AGF e contratos privados de opção, além da confirmação dos primeiros recursos liberados para o custeio da safra de verão estabilizaram os preços do arroz, estancando a queda verificada até a última semana.

O mercado de arroz em casca encerra a semana com preços estabilizados nos três principais estados produtores brasileiros. Pesaram para frear a tendência de queda que vinha sendo registrada no mercado, o anúncio da liberação – provavelmente na próxima semana – de R$ 50 milhões para AGFs e contratos privados de opção, a liberação de recursos de custeio para os primeiros produtores no Rio Grande do Sul e, também, o aumento do volume de negócios de arroz beneficiado nos últimos 10 dias de setembro.

No Mato Grosso, a falta de arroz Primavera de maior qualidade mantém a estabilidade neste produto. A pressão do mercado é provocada pelo excesso de arroz Cirad fraco que está sendo ofertado.

Preços na ordem de R$ 16,00 a R$ 17,00 no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No Mato Grosso, o arroz Primavera de melhor qualidade (60 Kg) manteve preços estáveis na faixa de R$ 17,00 a R$ 18,00 FOB norte do Mato Grosso. Chega a Cuiabá (MT) com preço final médio de R$ 19,50 a R$ 20,50. O arroz Cirad é negociado entre R$ 7,00 e R$ 10,00 dependendo da qualidade e região. É colocado em Cuiabá ao preço final médio de R$ 10,50 a R$ 13,50.

O corretor da Futura Cereais, de Cuiabá, Jorge Fagundes, explica que o Mato Grosso continua com uma oferta excessiva de arroz Cirad fraco, de 35% a 48% de inteiros, constituindo-se este num fator de pressão ao mercado. O arroz Primavera de maior percentual de inteiros tem procura, mas não há oferta. A indústria ainda não se dispôs a pagar mais do que os R$ 20,50 (CIF Cuiabá), pois tem dificuldades de repassar para o beneficiado.

– Há poucos estoques de arroz Primavera de melhor qualidade no estado. E o que existe e está na mão dos produtores não está sendo comercializado – revela.

No Rio Grande do Sul a semana manteve estabilidade. O anúncio de que um pool de empresas fechou uma significativa exportação de arroz parboilizado também favoreceu para frear a curva descendente das cotações. Na quinta-feira surgiu a informação entre corretores e agentes de mercado de que uma empresa estaria repondo estoques devido à fiscalização da Conab, mas a informação não foi oficialmente confirmada ou mesmo repercutiu no mercado. Boa parte da indústria está fora de mercado e os produtores, com o início da liberação de recursos de custeio, AGFs e outros mecanismos disponíveis, recuaram e a oferta é mínima.

Na Depressão Central gaúcha, Rio Pardo, Cachoeira do Sul e Dona Francisca operam com cotações de R$ 16,00 para o saco de 50 quilos com 58% de inteiros. Mesma cotação é mantida em Alegrete, Dom Pedrito, Bagé, São Gabriel, Rosário do Sul e Santa Vitória do Palmar. Em Uruguaiana, São Borja, Itaqui e Pelotas R$ 16,50. Camaquã, São Lourenço do Sul e Tapes também mantiveram preços na faixa de R$ 16,50. Variedades nobres são cotadas a R$ 17,50 em Itaqui e São Borja. No Litoral Norte gaúcho, as cotações voltaram a cair depois que algumas grandes indústrias do Centro-Oeste restringiram a compra para arroz com 64% de inteiros (acima) somente aos seus tradicionais fornecedores. Este produto, principalmente o arroz Irga 417 e o BRS IRGA 409, é cotado a R$ 19,00 na região.

BENEFICIADO

A semana apresentou alguma movimentação para arroz beneficiado de 60 quilos a preços que variaram entre R$ 33,50 e R$ 34,00 dentro do Rio Grande do Sul. Este produto está chegando a São Paulo por R$ 44,00 a R$ 46,00 de preço final. O arroz Primavera acompanha esta tendência, juntamente com o produto catarinense. Nesta condições, o Cirad é comercializado entre R$ 30,00 e R$ 31,00.

O fardo de 30 quilos do arroz Tipo 1, dentro do Rio Grande do Sul, é negociado entre R$ 20,50 e R$ 24,00. O arroz gaúcho chega a São Paulo entre R$ 24,50 e R$ 34,00 e com grande volume na faixa de R$ 26,00 a R$ 28,00. O Primavera do Mato Grosso (30kg Tipo 1) chega a São Paulo cotado entre R$ 23,00 e R$ 26,00. O Cirad entre R$ 20,00 e R$ 22,00.

DERIVADOS

O grande negócio das indústrias gaúchas, principalmente para fazer caixa, neste ano são os derivados. Graças ao grande volume de exportação de arroz quebrado, o canjicão alcança cotações de até R$ 24,50 para pagamento à vista e há disputa entre corretoras e indústrias que trabalham com o produto. A quirera é cotada entre R$ 20,00 a R$ 20,50. Algumas indústrias já comercializaram até mesmo o canjicão e a quirera que nem foram descascados. Na fronteira-oeste gaúcha um engenho de arroz confirma que já negociou todo o quebrado que vai produzir nos próximos 60 dias.

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