sindicatos rurais de 10 municípios da região de Dourados manterão protestos até o dia 25

Os dirigentes sindicais temem que uma desmobilização neste momento – apesar da promessa do ministro Roberto Rodrigues de edição do pacote agrícola, permita que o Governo adie a decisão de medidas de apoio.

Representantes de dez sindicatos da região de Dourados decidiram sustentar o movimento de protesto, inclusive com bloqueio parcial das rodovias, até o dia 25 de maio, quando o Governo federal deverá anunciar as medidas estruturantes para o setor agrícola. A decisão foi tomada na tarde de ontem durante reunião, no auditório do parque de exposições, que avaliou o protesto Alerta no Campo.

Os dirigentes sindicais temem que uma desmobilização neste momento – apesar da promessa do ministro Roberto Rodrigues de edição do pacote agrícola, permita que o Governo adie a decisão de medidas de apoio. “Não podemos deixar ocorrer o que aconteceu com o tratoraço(em maio de 2005), cujas promessas das autoridades ficaram só na conversa”, lembrou um produtor.

O encontro reuniu presidentes dos sindicatos dos principais municípios agrícolas do sul do Estado, como Dourados, Ponta Porã, Caarapó, Rio Brilhante, Aral Moreira, Amambai, entre outros. Eles tiveram apoio de Fátima do Sul, Antônio João, Jateí e Vicentina. Outro encontro semelhante seria realizado em Maracaju na noite de ontem com municípios daquela região.

Os ruralistas traçaram a estratégia para manter o protesto por mais uma semana. Decidiram, por exemplo, que a unidade de esmagamento de soja da Bunge, em Dourados, permanecerá bloqueada, apesar das pressões, ameaças de demissões e até o fechamento desta indústria, que estaria deixando de descarregar e carregar 180 carretas por dia.

A direção da empresa registrou boletim de ocorrência no 2º DP contra o fechamento compulsório da indústria, o que está causando prejuízos financeiros, pedindo providências à polícia.

Os armazéns de cooperativas e cerealistas também continuarão com maquinário nos portões. A Cooagri – que apóia o movimento, teria reclamado que está deixando de cumprir contratos de exportação de soja. Os bloqueios de rodovias prosseguirão nos próximos dias.

Eles reclamaram da participação tímida da classe produtora de Campo Grande e Três Lagoas, já que indústrias multinacionais (Cargill e ADM) estão operando e até socorrendo clientes da Bunge de Dourados, no fornecimento de farelo de soja para a produção de ração.

Em Rio Brilhante, em plena colheita da safra de arroz, é permitida somente a entrada do produto vindo das lavouras para secagem, mas a saída está proibida pelos manifestantes.

Por unanimidade, as lideranças rejeitaram a proposta de suspender os bloqueios – como também defendeu o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por entender que a decisão poderia deixar a equipe econômica do Governo mais à vontade e sem atender as reivindicações dos agricultores.

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