Situação do setor arrozeiro é dramática

Os números das últimas safras são alarmantes.

Pressionados pela dívida crescente e sem nenhuma resolução do governo federal capaz de melhorar a situação, os produtores de arroz já falam em “quebradeira”. As manifestações dos agricultores prosseguem nesta terça-feira (16), nas principais rodovias do Estado e continuarão caso não seja anunciada nenhuma medida de impacto. De acordo com um estudo da Equipe de Política Setorial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), se a comercialização do cereal permanecer nos patamares atuais, ao final do ano a dívida do produtor irá chegar a 1,5 bilhões de reais só no Estado.

Os números das últimas safras são alarmantes. A dívida só vem aumentando e o prejuízo dos últimos doze anos equivale a 1,3 safras de arroz. De 1994/95 à 2005/06, os orizicultores acumularam sete anos de prejuízos e em apenas cinco obtiveram lucros. O produtor, que não está conseguindo suprir os custos, trabalha no negativo a espera de ações do governo federal. Segundo a Constituição Federal, o governo é obrigado a garantir, ao menos, o Preço Mínimo aos produtores, no caso do arroz R$ 22, o saco de 50kg.

O custo de produção por saca, apurado pelo Irga, que chegou a ser de R$24,32 na safra 00/01, atinge R$28,30 neste ano. Os preços de máquinas e insumos da lavoura subiram e o arroz permaneceu em patamares baixos. Até o salário mínimo, tão contestado pelos valores irrisórios, cresceu mais que o preço pago aos produtores no período.

Enquanto o diesel nos últimos doze anos aumentou 614%, o adubo 207% e a colheitadeira 339% , o preço do arroz elevou-se em apenas 70,45%. Já o custo por saco teve acréscimo de 154,09%. Os protestos dos arrozeiros pelo Estado pedem a implementação de uma nova securitização para o endividamento do setor; Garantia efetiva de comercialização a Preço Mínimo; Implementação de Preços Mínimos que cubram os custos reais de produção; Diesel para lavoura sem o imposto CIDE; Câmbio para promover a exportação e a Correção das assimetrias do Mercosul: ambientais, tributárias, cambiais, comerciais.

O alerta, agora, recai para a “quebradeira” que poderá acontecer no setor caso não sejam dadas garantias governamentais. Em alguns municípios do Estado, que tem economia praticamente baseada no cereal, a situação já é de emergência.

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