Só o câmbio salva a indústria
Mudanças no Moderfrota não devem garantir venda de máquinas agrícolas. Agrishow reflete crise do setor de implementos no país
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A remodelação do Moderfrota, proposta pelo Simers, pouco adiantaria para provocar uma reativação de negócios na indústria de máquinas e implementos agrícolas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, disse durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), que a redução de juros seria insuficiente para detonar um processo de compra pelo setor produtivo.
Os produtores que transitam pela exposição também são unânimes: não adianta baixar os juros do programa, que chegam a 12,75% ao ano, dependendo da faixa. Investimentos em máquinas só com dinheiro sobrando em caixa.
– Não tem como comprometer recursos neste momento. Quem sabe depois da colheita da próxima safra – projetou Milton Soares, produtor em Campinas (SP).
Para Mello, o fator determinante para reação do setor é a recuperação da rentabilidade dos compradores.
– A redução de juros é bem vinda, mas se o agricultor está sem rentabilidade não vai comprar.
Para a Abimaq, só a revalorização do dólar pode reverter o quadro, que provocou o fechamento de 25 mil vagas na indústria nacional. As empresas fecharam o primeiro trimestre com queda de 10% em relação a 2005. O dirigente aponta, entre as alternativas, a suspensão da medida provisória que isenta do pagamento de Imposto de Renda as aplicações estrangeiras em papéis brasileiros e a reativação do IOF incidente sobre aplicações financeiras.
– Os produtos estão precisando retomar a sua competitividade no mercado interno e externo. E isso só se faz com o câmbio.


