Sudeste do Pará lidera produção de grãos

Região já colheu 40 mil toneladas de arroz nesta safra.

Produtores rurais de vários municípios da região sudeste do Pará estão comemorando o aumento da safra de grãos em área mecanizada, fator que tem contribuído para a geração de renda e o aparecimento de alternativas de investimentos em plantação de produtos que já obtiveram êxito em outras regiões do Estado.

No município de Ulianópolis, na BR-010, a 380 quilômetros de Belém, a Secretaria de Agricultura do município, em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), estão implementando a produção de feijão-caupi, que já bate recordes na região bragantina do Estado. A cada ano, Ulianópolis vem se destacando no cenário agrícola do Estado, principalmente na produção de milho, arroz e soja.

Este ano, em parceria com o produtor Sérgio Della Meã, a Emater e a Secretaria Executiva de Agricultura (Sagri) estão inserindo no município a plantação do feijão-caupi, cujo plantio tem 20 hectares de área mecanizada.

O secretário municipal de Agricultura de Ulianópolis, Paulo César Fachetti, informou que o objetivo deste trabalho é testar a adaptação e a viabilidade de cultivo do produto no solo da região.

Fachetti ressaltou que a saca de 60 quilos do feijão-caupi já atingiu ótimos preços no mercado, chegando a ser comercializada até por R$ 180, totalizando R$ 3 por quilo. ‘É uma excelente alternativa para geração de renda, principalmente para a agricultura familiar’ comemora o secretário.

Nos municípios de Bragança e Tracuateua, o feijão-caupi se destaca como o principal produto cultivado na região, razão pela qual a Emater vem trabalhando para a difusão do cultivo do produto em outros municípios do Estado além de Ulianópolis.

Segundo o engenheiro Antônio Carlos Braga, lotado na Emater de Ulianópolis, o fator diferencial do cultivo do produto no município se pelas condições climáticas: o solo da região possui maior teor de argila. ‘Embora o cultivo do feijão-caupi seja propício para solos mais arenosos, não existe obstáculo em plantá-lo no solo do município’, pondera Antônio Carlos.

O ciclo de colheita do feijão oscila entre 45 e 60 dias. A secretaria de Agricultura de Ulianópolis espera colher em breve cerca de mil sacas do produto. Toda a produção será dirigida basicamente à agricultura familiar. ‘Distribuíremos toda a produção para que os agricultores façam o replantio em suas terras’ diz o engenheiro Antônio Carlos.

COLHEITA

Para este ano, a região espera uma colheita que ultrapassa 70 mil toneladas de grãos em áreas mecanizadas e de toco, antigo método de plantio. A produção em área mecanizada de arroz, milho e soja deverá chegar a 70 mil toneladas. Em Ulianópolis, conforme dados fornecidos pelo secretário Paulo César Fachetti, a intenção de produção de grãos atinge uma área 17 mil hectares. No que tange a estocagem e acomodamento da produção, a capacidade de armazenamento conta com a estrutura de 16 secadores com capacidade para 10.780 sacas e 27 silos e galpões com capacidade de armazenamento de 1.010 sacas de grãos.

Nos últimos dois anos, o município de Ulianópolis produziu mais de 40 mil toneladas de grãos de arroz, cerca de 90 mil toneladas de grãos de milho e 35 mil toneladas de soja.

A produção de grãos se concentra principalmente nos municípios de Ulianópolis e Paragominas, onde estão os maiores produtores individuais do Estado, entre eles Celestino Facco, em cuja fazenda São Lucas são cultivados milho, arroz e soja. O empresário Davi Resende Soares é outro responsável por boa parte da produção do município.

Em reunião recente realizada em Belém, por ocasião do Frutal da Amazônia, onde estiveram presentes o presidente da Amat, Walciney Gomes, e o diretor de Agricultura da entidade, Jorge Bitencourt, o secretário de agricultura de Ulianópolis, Paulo César Fachetti, elogiou a iniciativa da Emater e disse que em relação à produção de grãos, o governo federal não oferece segurança para agricultores e produtores na questão do preço mínimo do produto. Como exemplo, o secretário citou a soja, cuja saca já chegou a custar R$ 30 e hoje está sendo comercializada até por R$ 22.

PARAGOMINAS

Considerado um dos maiores pólos de produção de grãos, o município de Paragominas, a cerca de 300 quilômetros de Belém, está atraindo o interesse de outros países em trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). É o caso de produtores e técnicos agrícolas da Câmara de Agricultura da Guiana Francesa, que querem trocar experiências com produtores de Paragominas sobre sistemas de produção de grãos.

O município de Paragominas chega a produzir até 350 mil toneladas de grãos em uma área mecanizada de 70 mil hectares. O milho e o arroz produzidos no município são consumidos pelo mercado paraense. A soja in natura é vendida, normalmente, para o Estado do Maranhão. Toda a produção de grãos de Paragominas é escoada pela BR-010.

Atraídos por fatores que garantem índices de produtividade acima da média nacional, como condições climáticas e de solo, muitos agricultores migraram de outras regiões do Brasil para o sudeste paraense, principalmente para os municípios de Paragominas, Ulianópolis e Dom Elizeu.

No trecho entre Paragominas e Ulianópolis, a cultura de grãos dá um toque diferente à paisagem nas margens da BR 010. Quem percorre o trajeto se depara com um espetáculo ímpar, onde aparecem grandes propriedades com plantações de milho, arroz e soja. Grandes unidades de beneficiamento de arroz e vários silos de armazenagem de grãos se destacam ao longo do percurso.

O plantio de grãos na região de Paragominas começou de forma experimental. O município planta vários tipos de arroz, com destaque para Bonança, a maior parte, e ainda Talento, Aimoré e primavera. As sementes de milho híbrido cultivadas no pólo de Paragominas são compradas de empresas multinacionais. A agricultura familiar é responsável pela produção de cerca de 4 mil hectares de grãos.

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